Comunicado ressalta a crescente preocupação de que a autonomia monetária do banco central dos EUA esteja sendo ativamente ameaçada
Um grupo de bancos centrais de diversos países divulgou, nesta terça-feira, um comunicado conjunto em apoio ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em meio à escalada de ataques e pressões do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a autoridade monetária americana.
A manifestação, considerada inédita, evidencia a gravidade com que líderes financeiros globais enxergam a ameaça à independência do banco central mais poderoso do mundo. Entre os signatários estão Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, além de dirigentes dos bancos centrais do Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália, Canadá e Coreia do Sul. Também assinaram o documento representantes do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
No comunicado, os banqueiros centrais afirmam estar “em plena solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e com seu presidente, Jerome H. Powell”, destacando que a independência dos bancos centrais é essencial para a estabilidade econômica, financeira e de preços, devendo ser preservada com respeito ao Estado de Direito.
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Os líderes também elogiaram a atuação de Powell, afirmando que ele tem conduzido o Fed com integridade, foco no mandato e compromisso com o interesse público. “Para nós, ele é um colega respeitado, que goza da mais alta consideração de todos os que trabalharam com ele”, diz o texto.
Nos últimos dias, o próprio Powell adotou um tom mais duro, acusando Trump de tentar interferir diretamente na política monetária após meses de críticas às taxas de juros, consideradas altas pelo presidente americano. A preocupação internacional aumentou após o Fed receber intimações de um grande júri do Departamento de Justiça, que podem resultar em denúncia criminal — medida que Powell afirma estar relacionada a seu depoimento ao Congresso sobre reformas na sede da instituição.
Segundo Powell, as ameaças fazem parte de uma pressão contínua do governo e representam uma tentativa de retaliação por decisões técnicas do Fed que não atendem às preferências políticas da Casa Branca.
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Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell
(Foto: Chip Somodevilla/Getty Images via Bloomberg)
O episódio gerou reações em cadeia. O presidente do Banco da França alertou para o risco de desvalorização do dólar caso a independência do Fed seja colocada em xeque. Já o presidente do Banco do Canadá declarou apoio total a Powell, afirmando que ele representa “o que há de melhor no serviço público”.
Ex-presidentes do Fed, como Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen, também se posicionaram publicamente, classificando a investigação como uma tentativa sem precedentes de minar a autonomia da política monetária nos Estados Unidos.
Enquanto isso, Trump segue defendendo cortes agressivos nas taxas de juros, alegando a necessidade de estimular a economia, baratear financiamentos e reduzir os custos da dívida pública. A Casa Branca afirma que o presidente não ordenou a investigação, mas mantém o discurso crítico contra o banco central.
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O caso acende um alerta global sobre os impactos políticos e econômicos de uma eventual interferência na autonomia do Federal Reserve, considerado um dos pilares do sistema financeiro mundial.