O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação do Will Bank, banco digital pertencente ao grupo Master, que desde novembro operava sob regime de administração especial temporária. A decisão marca o encerramento definitivo das atividades da instituição, considerada irrecuperável pelo regulador.
Inicialmente, o Will Bank havia sido preservado quando o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro, diante da expectativa de que investidores pudessem adquirir o banco digital. A alternativa, no entanto, não avançou dentro do prazo máximo de 120 dias permitido pelo regime especial.
Segundo o BC, a situação do Will Bank se deteriorou após a instituição deixar de honrar pagamentos a integrantes da cadeia de cartões de crédito, incluindo a bandeira Mastercard. A inadimplência levou à interrupção das negociações e inviabilizou qualquer solução de mercado para a continuidade do banco.
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A liquidação é aplicada quando o Banco Central conclui que não há possibilidade de recuperação da instituição financeira. Com isso, o funcionamento do banco é interrompido e ele é retirado do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, os bens dos controladores e dos ex-administradores tornam-se indisponíveis.
Apesar de deter uma fatia relativamente pequena do sistema — 0,57% do total de ativos e 0,55% das captações do SFN —, o impacto do encerramento é relevante, sobretudo para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Antes do anúncio oficial, a Mastercard já havia suspendido a aceitação de transações realizadas com cartões emitidos pelo Will Bank, após operações realizadas por consumidores não terem sido liquidadas. A medida buscou evitar o aumento da exposição financeira da bandeira, que também executou garantias ligadas a dívidas do banco, passando a deter participações na varejista Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
Criado em 2017 e adquirido pelo grupo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões, conforme dados do Banco Central. Em setembro, o banco mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo, sem valores em depósitos à vista.
A expectativa de venda do Will Bank era vista como uma alternativa para reduzir as perdas do FGC, que deverá indenizar até 800 mil investidores em CDBs e outros títulos garantidos emitidos pelo Master, num total estimado em R$ 40,6 bilhões — a maior indenização da história do fundo. Sem a alienação do banco digital, o prejuízo tende a aumentar.
O caso se insere em um contexto mais amplo de investigações envolvendo o grupo Master. Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
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A ofensiva teve como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do grupo, além de parentes e empresários. Vorcaro chegou a ser preso na primeira fase da operação, em novembro, acusado de liderar um esquema de criação de carteiras falsas de crédito, mas foi solto menos de duas semanas depois e segue monitorado por tornozeleira eletrônica.