Bruxelas quer interromper desmantelamento de infraestruturas nucleares e prepara aquisição de reatores de empresa francesa
Diante do cenário de instabilidade no setor energético internacional, o governo da Bélgica anunciou planos para assumir o controle das usinas nucleares do país, em uma tentativa de reforçar a segurança no fornecimento de energia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
A proposta envolve a aquisição dos reatores atualmente operados pela empresa francesa Engie em território belga. Segundo o primeiro-ministro Bart De Wever, já foi firmado um acordo inicial para definir as condições da operação e iniciar estudos técnicos que viabilizem a compra completa do parque nuclear nacional.
O plano representa uma mudança significativa na política energética do país. Durante anos, a Bélgica seguiu uma estratégia de abandono gradual da energia nuclear, com previsão de desativar todas as usinas até 2025. No entanto, crises recentes — como a guerra na Ucrânia, tensões no Oriente Médio e a alta nos preços do gás e do petróleo — levaram o governo a rever essa decisão.
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Com a nova diretriz, além de interromper o desmantelamento de reatores antigos, o governo pretende ampliar o uso da energia nuclear e até investir na construção de novas usinas. A medida busca garantir uma fonte de energia considerada mais estável e menos vulnerável às oscilações do mercado internacional.
De acordo com informações oficiais, a possível estatização abrangeria toda a estrutura nuclear do país: os sete reatores em funcionamento, os trabalhadores envolvidos, subsidiárias e até mesmo os passivos relacionados, incluindo custos de desativação futura.
O governo belga defende que essa decisão permitirá maior autonomia energética, além de reduzir a dependência de importações de combustíveis fósseis. A estratégia também está alinhada com o objetivo de garantir uma matriz energética mais estável, acessível e sustentável a longo prazo.
A mudança reflete um movimento mais amplo na Europa, onde diversos países vêm reconsiderando o papel da energia nuclear diante das dificuldades de expandir rapidamente fontes renováveis e da necessidade urgente de garantir abastecimento contínuo.
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Com isso, a Bélgica passa a integrar um grupo de nações que estão revendo suas políticas energéticas diante das novas pressões geopolíticas, transformando o setor nuclear novamente em peça central no debate sobre segurança energética e transição para modelos menos dependentes de combustíveis fósseis.