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Bianca Censori desabafa sobre pressão da fama, vida pessoal e nudez: 'Pergunto se tudo isso vale a pena'
Foto: Reprodução

A modelo refletiu sobre influência da mídia sobretudo em sua forma de se vestir

Bianca Censori, de 31 anos, confessou que não pensa mais em dar entrevistas. Quando a revista Welcome pediu para conversar com ele, a modelo australiana enviou uma carta detalhada para a redação. A esposa do rapper Kanye West aproveitou a oportunidade para refletir sobre o papel social da mulher, sua relação com a nudez e a pressão constante que sente pela fama.

 

"Só dei uma entrevista. Reli o texto e não consegui reconhecer completamente a pessoa entrevistada", disse, fazendo referência à conversa com a Vanity Fair quando falou, pela primeira vez, sobre a nudez de seus looks polêmicos.

 

"Gostei do convite para a autoabsorção. Por um momento, você tem permissão para falar inteiramente sobre si mesma. Esse é o objetivo, para que ninguém possa julgá-la por ser egocêntrica. Mesmo assim, não posso ficar muito irritada. Tenho tendência a vacilar. Talvez eu queira dizer oscilar", refletiu.

 

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"Às vezes, alterno entre o modo Deus e o modo rato, e vice-versa. Sinto que tenho tudo. Às vezes, não sinto nada. Estou à deriva; explodo e desabo de acordo com meu estado interno. Isso pode ser difícil de lidar. Espera-se que as mulheres existam dentro de uma estreita faixa de autoimagem socialmente aceitável", detalhou.

 

Bianca ainda comentou sobre o papel destinado às mulheres em sociedade. "Uma mulher calculista é suspeita. O mecanismo é o mesmo. Só o contexto muda. Contexto é tudo. Nudez em um tapete vermelho é anormal. Mas qualquer coisa que não seja nudez em uma banheira também é. Para constar, eu gosto de ambas", explicou.

 

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"Quando alguém menciona um tópico ou uma pessoa em uma conversa, eu busco um fato que sei sobre isso como resposta. Às vezes é exato. Às vezes é um pouco impreciso. Acho que é a minha maneira de interagir sem me expor completamente. Algo como enviar uma redação em resposta a um pedido de entrevista", completou.

 

Apesar do efeito positivo, durante a conversa em si, Bianca disse que sente um desconforto significativo. "Quando penso em entrevistas que definem seus entrevistados, consigo ouvir o martelo batendo nos pregos. Consigo vê-los formando esse hexágono irregular, selando a tampa de um caixão. Meu caixão", completou.

 

A modelo, ao longo da carta, reforça o sentimento de incompreensão tanto dela sobre si mesma quanto da sociedade. "Me vejo naquela cena de Kill Bill, precisando usar minhas habilidades de caratê para me livrar daquilo antes que o ar me falte. Apoio a cabeça no peito do meu marido, atenta ao seu ombro dolorido, com lágrimas escorrendo pelo rosto, e pergunto se tudo isso vale a pena", desabafou.

 

Bianca conta que procurou profissionais de relações públicas para que "o TMZ não me reduzisse simplesmente ao que eu vestia, ou deixava de vestir". Segundo ela, o resultado, mais uma vez, não foi o esperado.

 

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Fotos: Reprodução

 

"Ela me disse que eu precisava dar entrevistas para explicar o trabalho. A princípio, concordei, mas depois não quis mais, então pedi para um dos artistas se vestir como eu e responder no meu lugar. Em certo momento, a entrevistadora olhou para nós duas e perguntou: 'Estamos mesmo conversando?'", contou.

 

Segundo ela, "isso me fez começar um discurso sobre consentimento. Que você não pode forçar alguém a falar se essa pessoa não o consentiu. O que é um pouco irônico, porque falar é a premissa de uma entrevista. Acho que essa foi a minha maneira de dizer não".

 

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"Entrevistas estruturam, destilam, repetem e resumem algo que não é estável. Mas não se pode tornar as pessoas digeríveis dessa forma. Não é assim que a identidade funciona. A identidade se fragmenta. Ela se reforma e se renova. Ela se contradiz. Ela explode e desmorona", frisou ainda em dado momento. 

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