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11/08/2020

Biden escolhe Kamala Harris como vice, primeira mulher negra a concorrer

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Foto: Reprodução

Senadora pela Califórnia de 55 anos foi uma rival e crítica de Biden ao disputar a nomeação do partido democrata no ano passado, mas se aproximou do ex-vice-presidente nos últimos meses

O candidato democrata Joe Biden escolheu a senadora Kamala Harris como a vice de sua chapa na disputa pela presidência americana. Se o democrata ganhar a eleição em novembro, Kamala será a primeira mulher e primeira negra a exercer o papel de vice-presidente dos Estados Unidos. A escolha é considerada histórica.

 

A senadora pela Califórnia, de 55 anos, foi uma rival e crítica de Biden ao disputar a nomeação do partido democrata no ano passado, mas se aproximou do ex-vice-presidente nos últimos meses e seu nome ganhou força com o surgimento dos protestos anti-racismo no país em junho. Biden foi vice-presidente no governo de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, e disse que considerava escolher uma candidata negra como vice.

 

Obama elogiou Kamala em um comunicado postado no Twitter: "Ela passou sua carreira defendendo nossa Constituição e lutando por pessoas que precisam de um tratamento justo. Este é um bom dia para nosso país. Agora vamos ganhar isso".

 

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Também pelo Twitter, Kamala disse que se sentia honrada por ser escolhida como candidata a vice de Biden e fará o que for necessário para torná-lo o comandante-chefe dos EUA. "Joe Biden pode unificar o povo americano porque ele passou sua vida lutando por nós. E, como presidente, ele construirá uma América que vive de acordo com nossos ideais."

 

Kamala já foi criticada pela ala progressista do partido, pelo seu histórico de atuação quando foi procuradora do Estado da Califórnia. Ela apareceu, no entanto, como uma defensora dos protestos tendo ido pessoalmente a uma manifestação em frente à Casa Branca após o assassinato de George Floyd, o que passou a ser um ponto forte mesmo entre a ala à esquerda.

 

 

Com a escolha, Biden mantém a percepção de que fará uma campanha de centro, já que Kamala é vista como uma candidata pragmática e moderada.

 

Ao menos 11 virtuais candidatas tiveram as fichas analisadas pelo comitê de campanha de Biden. Depois de avisar seus assessores que havia finalmente tomado a decisão, Biden passou a tarde telefonando para as cotadas pela campanha para informar que não haviam sido escolhidas.

 

Um pouco antes do anúncio desta tarde, um dos assessores de Biden se antecipou a críticas de Trump e disse que a campanha republicana já estava desacreditada por tentar identificar como "radical" a vice, antes mesmo de saber quem seria a escolhida. O presidente tem tentado vincular Biden à ideia de um candidato radical, mas o ex-vice-presidente é do espectro moderado do partido democrata.

 

Logo após a divulgação da escolha de Biden, Trump publicou um vídeo no Twitter dizendo que o democrata, "que não é muito esperto", "abraçou o radicalismo de esquerda".

 

Mais tarde, em sua entrevista coletiva diária na Casa Branca, disse estar "surpreso" com a decisão do candidato democrata, criticando o papel "pobre" da senadora durante as primárias democráticas

 

A escolha precede a convenção democrata, que começa na próxima segunda-feira e, pela primeira vez, será feita de maneira virtual em razão da pandemia de coronavírus. Pela manhã, o partido democrata divulgou a ordem dos oradores na convenção, mas Susan Rice não estava entre as selecionadas, o que fez crescer a especulação de que ela poderia ser a escolhida por Biden.

 

Joe Biden tem 77 anos e faz aniversário em novembro. Se eleito, será o presidente americano mais velho a tomar posse em janeiro, um fato que tornou a decisão sobre a vice ainda mais importante por três fatores. O primeiro é o risco de Biden precisar se ausentar da Casa Branca, ainda que temporariamente, para algum tratamento médico, a despeito de estar em boas condições de saúde. Ainda que não seja o caso, ele é visto como um candidato a um só mandato -- o que leva a vice a ser imediatamente credenciada como virtual candidata democrata a presidente em 2022.

 

Além disso, Biden precisava sinalizar, com a escolha da vice, que está atento aos movimentos pela renovação do partido, que teve as primárias mais diversas da história neste ano, com ao menos duas mulheres em posição competitiva e o primeiro pré-candidato assumidamente gay. Por passar longe da renovação cobrada por eleitores, Biden precisava sinalizar, com a escolha da vice, o compromisso com o futuro da legenda.

 

Nasceu daí e da necessidade de minimizar as acusações de assédio sexual feitas por sua ex-assessora Tara Reade a promessa feita ainda em março de colocar uma mulher como vice-presidente dos EUA.

 

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A senadora Kamala Harris, escolhida para compor a chapa de Joe Biden

Foto: Reuters

 

O candidato democrata, que será indicado oficialmente na Convenção que ocorrerá na próxima semana, disse em março que deseja um governo que reflita a diversidade do país e prometeu uma mulher como sua companheira de chapa.

 

Adversário de Biden, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira que alguns homens podem se sentir "insultados" pela promessa feita pelo democrata de escolher uma mulher como candidata.

 

"Ele se cercou de um certo tipo de gente", disse Trump em uma entrevista nesta manhã à rádio Fox Sports. "Algumas pessoas diriam que os homens se sentem insultados por isso e outras pessoas acham que está tudo bem", continuou o presidente.

 

Apenas duas candidatas a vice na história


Na história dos EUA houve apenas duas candidatas à vice-presidência, a democrata Geraldine Ferraro em 1984 e a republicana Sarah Palin em 2008, mas nenhuma chegou à Casa Branca, assim como nenhuma mulher foi eleita presidente do país.

 

Na entrevista, Trump elogiou seu vice, Mike Pence, mas sentenciou o debate afirmando que "as pessoas não votam por um vice-presidente".

 

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"Pode escolher George Washington para ser vice-presidente. Também colocar Abraham Lincoln, trazê-lo de volta da morte. Não se vota em um vice-presidente", defendeu Trump, usando como exemplo esses presidentes emblemáticos da história dos EUA. 

 

Estadão

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