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Biochar feito de fezes humanas aumenta resistência do concreto em até 42%, aponta estudo
Foto: Divulgação

Pesquisa conduzida na Índia testou o uso de resíduos fecais tratados na composição do concreto e encontrou ganhos de resistência à compressão e à flexão.

A busca por alternativas mais sustentáveis para a construção civil levou pesquisadores a testar uma matéria-prima pouco convencional: resíduos fecais humanos. Um estudo realizado na Índia mostrou que o concreto produzido com biochar obtido a partir de lodo fecal pode apresentar desempenho superior ao material tradicional.

 

O resultado mais expressivo foi registrado na mistura que utilizou 10% de biochar em substituição ao cimento. Nesse caso, o concreto apresentou aumento de 21% na resistência à compressão e de 42% na resistência à flexão em comparação com o concreto convencional.

 

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Manipal de Jaipur, na Índia, e publicada em 5 de setembro na revista científica Scientific Reports. O trabalho também aponta que o aproveitamento de resíduos humanos pode contribuir para reduzir impactos ambientais associados à produção de cimento, uma das atividades industriais responsáveis por uma parcela significativa das emissões globais de dióxido de carbono.

 

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Para produzir o material, os pesquisadores utilizaram lodo fecal proveniente de uma estação de tratamento. O resíduo passou inicialmente por um processo de secagem. Depois, foi submetido a temperaturas entre 350 °C e 450 °C para a produção do biochar, uma espécie de biocarvão obtido a partir do aquecimento de matéria orgânica.

 

Após o tratamento térmico, o material foi triturado e peneirado até alcançar uma textura fina. O pó resultante foi então utilizado para substituir diferentes quantidades de cimento na produção das amostras de concreto.

 

Os pesquisadores testaram concentrações de 5%, 10% e 15% de biochar de lodo fecal. As diferentes formulações foram submetidas a avaliações que analisaram características como resistência à compressão, resistência à flexão, retração, absorção de água e porosidade

 

Os resultados mostraram diferenças importantes entre as misturas. O concreto com 5% de biochar apresentou aumento de 20% na resistência à compressão e de 36% na resistência à flexão. Já a versão com 10% registrou os melhores resultados gerais, com ganhos de 21% na compressão e 42% na flexão.

 

A mistura com 15% também apresentou maior resistência durante o processo de cura, mas seu desempenho geral ficou abaixo das formulações com 5% e 10%.

 

Outro resultado observado pelos cientistas envolveu a absorção de água. A amostra com 5% de biochar absorveu menos água e apresentou menor porosidade do que o concreto convencional. Na mistura com 10%, esses indicadores ficaram próximos aos observados no material tradicional.

 

Segundo os pesquisadores, o desempenho do concreto pode estar relacionado às características do biochar. O material possui uma estrutura bastante porosa, formada por pequenas cavidades capazes de absorver água e liberá-la gradualmente durante o processo de cura.

 

Essa liberação gradual mantém a água disponível por mais tempo para as reações químicas responsáveis pelo endurecimento do cimento. Dessa forma, o biochar pode contribuir para melhorar a interação entre os componentes da mistura e favorecer a formação de uma estrutura mais resistente.

 

Além de buscar melhorar o desempenho do concreto, a proposta pode ajudar a encontrar um destino para grandes quantidades de resíduos fecais produzidos diariamente. O aproveitamento desses materiais também poderia reduzir a necessidade de descarte e criar uma nova alternativa para o desenvolvimento de produtos destinados à construção civil.

 

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível afirmar que o material esteja pronto para utilização generalizada. Novos testes serão necessários para verificar seu comportamento em diferentes condições ambientais.

 

Entre os fatores que ainda precisam ser avaliados estão a exposição a temperaturas muito elevadas, a salinidade e os ciclos de congelamento e descongelamento, situações que podem afetar a durabilidade do concreto em determinadas regiões.

 

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Os resultados, portanto, representam uma etapa inicial na investigação sobre o uso de biochar produzido a partir de resíduos humanos na construção civil. A tecnologia combina o reaproveitamento de resíduos com a possibilidade de reduzir o uso de cimento e, consequentemente, os impactos ambientais associados à sua produção. 

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