Associação classifica ofensas como racismo e violência contra povos originários e reforça que rivalidade deve ficar restrita à arena do Festival de Parintins.
A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso divulgou uma nota oficial para se posicionar contra os ataques direcionados à cunhã-poranga Marciele Albuquerque, participante do Big Brother Brasil 2026. As ofensas começaram após uma declaração feita por Marciele dentro do reality, ao afirmar que nunca perdeu para Isabelle Nogueira, cunhã-poranga do Boi Garantido, no Festival de Parintins, mencionando apenas empates na disputa.
Durante uma conversa com outros participantes, Marciele foi questionada sobre confrontos diretos na arena e respondeu que jamais havia sido derrotada. A fala gerou reação imediata de torcedores do Boi Garantido nas redes sociais, que passaram a acusá-la de mentir e a direcionar ataques pessoais, muitos deles com teor ofensivo e discriminatório.
Em nota, o Boi Caprichoso manifestou “firme e indignado repúdio às agressões, ataques virtuais, comentários maldosos, difamações e manifestações de preconceito” contra Marciele, destacando que os ataques extrapolam qualquer rivalidade cultural e revelam práticas de racismo, injúria racial, machismo e violência contra os povos indígenas.
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A associação reforçou que o Festival de Parintins é um dos maiores símbolos culturais do Brasil e se sustenta no respeito, na arte e na diversidade. Segundo o comunicado, a rivalidade entre Caprichoso e Garantido sempre foi marcada pela criatividade e pela estética na arena, e jamais pelo ódio ou pela violência.
REPRESENTATIVIDADE INDÍGENA
O pronunciamento também ressaltou a importância histórica da presença de Marciele como cunhã-poranga do Caprichoso. Para a entidade, ela simboliza um novo momento do festival, no qual o item deixa de ser apenas representação estética e passa a assumir um papel de representatividade e afirmação das mulheres indígenas.
Mulher indígena do povo Munduruku, Marciele é descrita como uma liderança que leva as pautas dos povos da floresta para além do Bumbódromo. A associação destacou sua atuação em espaços nacionais e internacionais, como a Marcha das Mulheres Indígenas, a Organização das Nações Unidas (ONU) e conferências ambientais, reforçando sua trajetória de defesa da Amazônia e dos direitos dos povos originários.
“A luta dos povos da Amazônia já é árdua. Quando uma mulher indígena ganha visibilidade, surgem tentativas de apagamento. Mas é justamente nesses momentos que a resistência se fortalece”, diz trecho da nota.
RESPEITO ALÉM DA RIVALIDADE
O Boi Caprichoso também relembrou sua postura durante o BBB 24, quando Isabelle Nogueira, cunhã-poranga do Boi Garantido, participou do reality. Segundo a associação, mesmo diante de divergências iniciais, prevaleceu o entendimento de que a visibilidade nacional do programa representava uma oportunidade de divulgar Parintins, a cultura amazônica e suas tradições para o Brasil e o mundo.
Por fim, a entidade reafirmou seu compromisso com o combate a todas as formas de preconceito e declarou que não aceitará que o discurso de ódio tente manchar a trajetória de Marciele Albuquerque.
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“A pequenez de quem acredita que a violência diminui a grandeza de Marciele revela apenas ignorância. Quando uma mulher indígena é atacada, todo o povo amazônico é convocado a se levantar”, conclui a nota.