Enquanto aliados de Bolsonaro fazem campanha internacional pela medida, governo Lula se posiciona contra a classificação das facções
A possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas vem ganhando apoio de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Integrantes do bolsonarismo afirmam que atuam há mais de um ano para convencer autoridades norte-americanas a adotar essa classificação.
Entre os principais defensores da medida estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo aliados, os dois têm usado redes sociais e encontros internacionais para pressionar por uma posição mais dura dos EUA contra as facções brasileiras.
Nesta semana, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que considera o PCC e o Comando Vermelho como “ameaças significativas à segurança regional”, citando o envolvimento das organizações com tráfico de drogas, violência e crimes transnacionais.
Veja também

Justiça mantém internação de adolescente mentor de estupro coletivo
Audiência começa a ouvir testemunhas sobre morte de estudante em trilha de praia em Florianópolis
Ao comentar a declaração, Flávio Bolsonaro criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando a gestão federal de não adotar medidas mais rígidas contra o crime organizado.
Eduardo Bolsonaro também se manifestou nas redes sociais, dizendo que está ao lado de quem combate o que chamou de “narcoterrorismo”.
ARTICULAÇÃO INTERNACIONAL
De acordo com aliados do bolsonarismo, a campanha pela classificação das facções inclui reuniões e articulações fora do país. Em novembro do ano passado, Flávio e Eduardo estiveram em El Salvador para um encontro com o presidente Nayib Bukele, citado por eles como referência em políticas de combate ao crime organizado.
Desde que assumiu o governo salvadorenho, Bukele implementou medidas consideradas rígidas, incluindo prisões em massa, estado de exceção prolongado e forte presença militar no combate às gangues.
Em maio do ano passado, Flávio Bolsonaro também entregou a integrantes de uma delegação norte-americana um dossiê que relaciona facções brasileiras a redes internacionais de crime. O documento menciona possíveis conexões com organizações estrangeiras, entre elas o Hezbollah.
GOVERNO BRASILEIRO SE OPÕE
O Governo do Brasil se posiciona contra a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o Palácio do Planalto, existe uma diferença jurídica entre terrorismo e crime organizado, e as facções não se enquadrariam na legislação brasileira que define esse tipo de crime.
A lei brasileira caracteriza terrorismo como atos motivados por razões políticas, ideológicas, religiosas ou por preconceito e xenofobia critérios que, na avaliação do governo, não se aplicariam diretamente às facções.
Outro ponto de preocupação é o impacto econômico e diplomático que essa classificação poderia provocar. A medida poderia permitir sanções financeiras, bloqueio de ativos e restrições a transações envolvendo instituições brasileiras, além de abrir espaço para ações mais diretas dos EUA contra as organizações.
O QUE SÃO PCC E COMANDO VERMELHO
O Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiu na década de 1990 dentro da Casa de Custódia de Taubaté, em São Paulo, criado por detentos do sistema prisional. Com o passar dos anos, a organização se expandiu e se tornou uma das maiores facções criminosas da América do Sul.
Já o Comando Vermelho teve origem na década de 1970, dentro do Instituto Penal Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. O grupo se consolidou principalmente no tráfico de drogas e hoje mantém presença em diversas comunidades do estado.
Ambas as facções atuam em crimes como tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e outras atividades do crime organizado, com presença em diferentes estados brasileiros e em países da América do Sul.
A possível classificação das facções brasileiras como grupos terroristas pode entrar na pauta de discussões entre o presidente Lula e o presidente norte-americano Donald Trump.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O encontro entre os dois líderes é esperado para ocorrer na Casa Branca, embora ainda não haja data confirmada devido às agendas dos dois governos.