Narrativa ligando facada à morte na prisão foi desencadeada em março por Bolsonaro e retomada pelos filhos em meio ao voto de Cármen Lúcia, que selou condenação a 27 anos e 3 meses de prisão. Defesa já se debruça sobre pedido de prisão domiciliar
Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, com início em regime fechado no presídio da Papuda, Jair Bolsonaro (PL) coloca em marcha a partir desta sexta-feira (12) seu plano para evitar ou, ao menos, adiar seu encarceramento usando a propalada narrativa dos filhos que alegam que o pai é um "idoso de 70 anos, todo remendado, enfrentando intermináveis crises de soluço e vômitos".
Na última segunda-feira (8), um dia antes da reta final do julgamento da organização criminosa golpista, advogados do ex-presidente solicitaram a Alexandre de Moraes a liberação de Bolsonaro para passar por "procedimento médico no Hospital DF Star" no próximo domingo, dia 14 de setembro.
Segundo o documento passará por uma pequena cirurgia ambulatorial para remover um nervo melanocítico de tronco, termo médico para definir pintas ou manchas na pele que podem, em casos raros, se desenvolver para um câncer de pele.
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Porém, o próprio médico de Bolsonaro, Claudio Birolini, emitiu um laudo de que é uma condição benigna, que requer apenas acompanhamento no tamanho, formato ou cor.
Mas, Bolsonaro logo requereu ao STF a liberação para realizar o procedimento, como forma de mostrar debilidade física - embora tenha planos de se reunir com Valdemar da Costa Neto na próxima semana. A previsão é que a internação para o processo no DF Star não passe de domingo, com o ex-presidente sendo liberado no mesmo dia.
No entanto, a defesa, comandada pelos advogados Celso Villardi e Paulo Amador Cunha Bueno, já se debruça sobre um pedido para que Bolsonaro cumpra integralmente a pena de 27 anos e 3 meses de prisão na mansão alugada para ele e Michelle Bolsonaro pelo PL no condomínio Solar de Brasília.
Aproveitando a fase dos chamados embargos declaratórios, em que os réus podem interpelar a corte sobre detalhes da sentença, os advogados vão alegar que Bolsonaro tem a saúde fragilizada em razão das "sequelas da facada" desferida por Adélio Bispo dos Santos durante a campanha eleitoral de 2018.
A estratégia teve início em março deste ano, quando o próprio Bolsonaro ligou as sequelas da facada à possível morte na prisão.
“Minha vida é feita de coisas. Até a facada foi um milagre. Médicos dizem que, de cada 100, só um sobrevive. É igual ao Trump com o tiro na orelha. Temos muita coisa em comum, exceto a fortuna. Deus não me colocou aqui para morrer atrás das grades. Se me prenderem, vão me matar", disse em entrevista a podcast.
Em seguida, o ex-presidente ainda levantou especulação ao afirmar que "não tenho a menor dúvida de que serei envenenado". "Não é de interesse que me vejam preso, porque vou dar dor de cabeça. Precisam me eliminar".
Nesta quinta-feira (11), durante a fase final do julgamento, com o voto de Cármen Lúcia para formar maioria pela condenação, os filhos retomaram o mesmo discurso.

Imagem: X
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"A mais alta Côrte do Judiciário está fazendo um justiçamento com as próprias mãos em praça pública. SUPREMA PERSEGUIÇÃO. QUEREM MATAR BOLSONARO", escreveu em caixa alta Flávio Bolsonaro (PL-RJ), compartilhada pelos irmãos, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Jair Renan Bolsonaro (PL).
Fonte: Revista Fórum