Documentos citados em denúncia do reitor Waldery Areosa apontam inadimplência, negociações com credores e receitas de mensalidades vinculadas a operações financeiras
Empresário afirma que grupo educacional ligado à candidata ao Governo do Amazonas enfrenta dificuldades financeiras, cita operações de quase R$ 200 milhões e levanta suspeitas sobre a destinação dos recursos. Documentos mencionados na denúncia apontam garantias vinculadas às mensalidades dos estudantes.
A situação financeira da Fametro, uma das maiores instituições privadas de ensino superior do Amazonas, entrou de vez no debate eleitoral. E com acusações graves.
Nesta terça-feira (20), o empresário e reitor do Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa), Waldery Areosa, divulgou um vídeo no qual faz duras denúncias contra a empresária Maria do Carmo, proprietária da Fametro e candidata ao Governo do Amazonas.
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Areosa afirma que o grupo educacional enfrenta um endividamento milionário, dificuldades para honrar compromissos financeiros e tentativas derenegociar pagamentos com investidores.
O empresário vai além: acusa Maria do Carmo de apresentar ao eleitorado uma imagem de boa administradora que, segundo ele, não combina com a situação financeira de suas empresas.
DÍVIDA MILIONÁRIA
No vídeo, Waldery Areosa afirma que as obrigações financeiras do grupo ligado à Fametro chegaram a R$ 251 milhões.
Documentos descritos na denúncia apontam operações originalmente estimadas em aproximadamente R$ 193 milhões, incluindo R$ 166,8 milhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e R$ 26,3 milhões em notas comerciais.
A diferença entre os valores apresentados pelo empresário e os montantes das operações precisa ser esclarecida por demonstrativos financeiros atualizados.

Foto: Divulgação
Segundo Areosa, a instituição estaria enfrentando dificuldades até mesmo para pagar os juros das operações.
“É calote puro”, dispara o empresário no vídeo.
NOTIFICAÇÃO POR ATRASO
Um dos episódios apontados na denúncia feita por Waldery Areosa envolve uma notificação datada de 26 de maio de 2026, atribuída à Oliveira Trust, instituição que representa investidores de uma operação financeira.
Conforme o documento descrito, o Instituto Metropolitano de Ensino (IME), mantenedor da Fametro, teria deixado de cumprir uma obrigação vencida em 25 de maio.
A notificação estabelecia prazo de um dia útil para regularização, sob risco de vencimento antecipado da dívida, conforme as condições contratuais.
Isso significa que, diante do descumprimento de determinadas obrigações, os credores poderiam exigir o pagamento antecipado dos valores devidos.
MENSALIDADES COMO GARANTIA
Outro ponto sensível da denúncia envolve as garantias oferecidas nas operações financeiras.
Segundo as informações apresentadas, parte das receitas provenientes de matrículas e mensalidades dos estudantes da Fametro, inclusive do curso de Medicina, foi vinculada aos contratos.
Também teriam sido oferecidos recebíveis de cartões de crédito e imóveis ligados ao grupo educacional.
Na prática, isso significa que receitas futuras da instituição foram comprometidas como garantia do pagamento de obrigações financeiras.
A utilização de recebíveis como garantia é uma prática financeira permitida. A preocupação surge quando há dificuldades de pagamento capazes de afetar o fluxo de caixa da instituição.
Não há, nas informações apresentadas, comprovação de interrupção de cursos ou de prejuízo acadêmico já ocorrido. Ainda assim, a situação justifica esclarecimentos sobre a continuidade dos serviços prestados aos estudantes.
PAGAMENTO ADIADO?
A documentação descrita aponta que, em setembro, o grupo educacional apresentou uma proposta de alteração do cronograma financeiro.
A intenção seria pagar somente os juros das operações nos meses de setembro, outubro e novembro de 2026, adiando a amortização do valor principal.
As assembleias de credores realizadas em 21 de setembro, 7 de outubro e 16 de outubro tiveram suas deliberações suspensas, segundo as informações fornecidas.
Uma nova reunião foi marcada para 4 de novembro, dez dias depois do segundo turno da eleição para governador do Amazonas.
A coincidência entre o calendário financeiro e o eleitoral chama a atenção, levando a supor que a renegociação tenha qualquer finalidade política.
PATRIMÔNIO SOB QUESTIONAMENTO
Waldery Areosa também questiona a evolução do patrimônio pessoal declarado por Maria do Carmo.
Segundo o empresário, o valor teria passado de R$ 14 milhões, em 2022, para R$ 118 milhões, em 2026.
O crescimento mencionado é expressivo e pode ser examinado a partir das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral.
Areosa também acusa a empresária de ter utilizado a Fametro para obter empréstimos cujos recursos, segundo ele, teriam sido destinados à sua conta pessoal.
PATRIMÔNIO PESSOAL EM RISCO
Maria do Carmo também aparece, segundo a documentação descrita, como fiadora solidária das operações financeiras, ao lado de familiares e empresas ligadas ao grupo.
Isso significa que, conforme os contratos, seu patrimônio pessoal poderá responder por obrigações assumidas nas operações.
As garantias incluiriam ainda imóveis avaliados, em laudos de 2023, em aproximadamente R$ 192,6 milhões.
OUTRA FACULDADE
Em meio aos questionamentos sobre a Fametro, Maria do Carmo mantém ligação com outra instituição de ensino superior em Manaus: a Faculdade Santa Teresa, localizada no conjunto Vieiralves.
Segundo as informações apresentadas, o marido da candidata, Wellington Lins, ocupa a presidência da instituição.
A existência dessa ligação empresarial não demonstra qualquer irregularidade. Ela, porém, amplia o interesse público sobre a estrutura societária e financeira dos empreendimentos educacionais relacionados à família.
EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS
As declarações de Waldery Areosa colocam em discussão questões objetivas: qual é o saldo atualizado das operações financeiras? Quais obrigações estão efetivamente vencidas? Qual foi a destinação dos recursos captados? E qual é o estágio atual das negociações com os investidores?
São perguntas que podem ser respondidas com documentos.
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Também é necessário esclarecer se a situação financeira da Fametro oferece algum risco concreto à continuidade das atividades acadêmicas.
VEJA VÍDEO: