O resultado do PISA 2025 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), divulgado nesta terça-feira (8) pela OCDE, trouxe um cenário ambíguo e que está dando o que falar entre educadores e políticos de todo o país. Por um lado, o Brasil continua figurando vergonhosamente nas últimas posições do ranking global e atrás de vários vizinhos latino-americanos; por outro, os números revelam que a distância histórica para os países ricos diminuiu consideravelmente ao longo das últimas duas décadas.
O levantamento internacional analisou o desempenho de cerca de 760 mil estudantes em 91 países. No Brasil, mais de 30 mil alunos de 15 anos foram avaliados nas áreas de leitura, matemática, ciências e, pela primeira vez, resolução de problemas com ferramentas computacionais.
Apesar da estabilidade nas notas — com o país registrando 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências —, os índices brasileiros continuam abaixo da média dos países membros da OCDE (que ficam na casa dos 460 a 480 pontos). O dado mais alarmante aponta que 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência nas três áreas avaliadas simultaneamente, mais que o dobro da média global de 19,7%. Em matemática, por exemplo, o Brasil amargou a 71ª colocação entre 89 países, ficando atrás de nações como Uruguai, Chile, México e Colômbia.
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O lado positivo: A distância caiu!
Apesar do nível ainda baixo, a comparação com o passado traz um facho de esperança. Os dados mostram que o Brasil conseguiu encurtar a brecha que o separa das nações desenvolvidas desde 2006:
Em Leitura: A diferença de 102 pontos registrada em 2006 despencou para 58 pontos na avaliação mais recente.
Em Ciências: A desvantagem caiu de 113 pontos para 77 pontos.
Em Matemática (a grande vilão do boletim brasileiro): A distância que era de 131 pontos caiu para 92 pontos.
O Ministério da Educação (MEC) comemorou o fato de o Brasil ter mostrado maior estabilidade e recuperação pós-pandemia do que a própria média global da OCDE, superando inclusive os patamares pré-crise na área de ciências.
Outro dado curioso que chamou a atenção na pesquisa foi o combate ao celular: 81% dos alunos brasileiros afirmaram frequentar escolas que aplicam restrições ao uso dos aparelhos eletrônicos em sala de aula, um índice que supera a média dos países ricos.
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Enquanto o debate sobre a qualidade real do ensino público continua pegando fogo, fica o desafio: o Brasil avança a passos de tartaruga rumo ao topo, ou vai continuar comendo poeira no cenário educacional internacional?