Pesquisa com bonobos identificou combinações de sons que sugerem um princípio de linguagem semelhante ao humano
Pesquisadores anunciaram ter identificado em bonobos um traço essencial da linguagem humana: a capacidade de combinar sons para criar novos significados. A descoberta foi publicada na última quinta-feira (3) na revista Science e reacende o debate sobre as origens da linguagem.
A pesquisa se baseia na análise de mais de 400 horas de gravações de vocalizações desses primatas na Reserva de Bonobos de Kokolopori, na República Democrática do Congo. O trabalho foi conduzido por cientistas do laboratório do psicólogo comparativo Simon Townsend, da Universidade de Zurique, em colaboração com o ecólogo comportamental Martin Surbeck, da Universidade Harvard.
A nova etapa da pesquisa concentrou-se nos bonobos, parentes próximos dos chimpanzés. A cientista Melissa Berthet, pós-doutoranda no grupo de Townsend, gravou 567 chamados isolados e 425 pares de vocalizações. Cada ocorrência foi registrada com base em uma lista de verificação com 336 itens, que incluía o contexto comportamental em que os sons foram emitidos.
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De volta à Suíça, os pesquisadores usaram técnicas matemáticas semelhantes às aplicadas em sistemas de inteligência artificial, como o ChatGPT, para mapear visualmente as relações entre os sons e seus significados. A maior parte dos pares combinados aparecia próxima aos sons individuais, sugerindo que a combinação não trazia um novo significado.
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No entanto, quatro pares se destacaram: suas posições no mapa indicavam que o significado conjunto era diferente do que qualquer um dos sons transmitia sozinho. Um exemplo envolvia a junção de um grito agudo, usado para chamar a atenção à distância, com um grito grave, associado a uma reação emocional intensa.
Fonte: Olhar Digital