Botafogo sofreu quatro gols do Cienciano no primeiro tempo
O Botafogo sofreu uma goleada histórica por 6 a 1 para o Cienciano, em Cusco, e voltou a colocar em discussão um velho problema do futebol brasileiro: a dificuldade de tratar adversários sul-americanos com o mesmo respeito dedicado aos grandes clubes do continente.
A derrota teve contornos ainda mais preocupantes porque o Cienciano já vencia por 4 a 0 aos 37 minutos. Franclim Carvalho precisou chamar Arthur Cabral e Kauan Toledo para tentar corrigir escolhas feitas pouco antes. Quatro dos seis gols peruanos nasceram de bolas levantadas ou jogadas pelas laterais, justamente uma das preocupações que haviam motivado mudanças na escalação.
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O resultado também entrou para a história negativa do futebol brasileiro. O Botafogo se tornou o primeiro clube do país a sofrer seis gols de um adversário estrangeiro em competições da Conmebol. A goleada ainda completou uma sequência de eliminações e tropeços em que o clube acabou subestimando adversários antes de descobrir, dentro de campo, a força que eles tinham.
Em 2023, Bruno Lage escalou oito reservas contra o Defensa y Justicia pelas quartas de final da Sul-Americana. No ano seguinte, Artur Jorge deixou quatro titulares no banco diante do Pachuca, na Copa Intercontinental, e o Botafogo acabou derrotado por 3 a 0. A sequência ganhou novos capítulos em 2025 e agora em 2026, repetindo a lógica de confiar demais na própria superioridade.
Altitude, viagem, calendário e desgaste físico são fatores que realmente influenciam uma partida. O problema, porém, aparece quando essas condições passam a esconder a qualidade do adversário. Cienciano, LDU, Defensa y Justicia e Pachuca não eram apenas altitude, viagem ou cansaço: eram equipes com jogadores, organização, títulos e capacidade para vencer.
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A goleada em Cusco deixa uma lição incômoda para o futebol brasileiro. O favoritismo baseado em orçamento e tradição pode indicar uma vantagem, mas não garante vitória. Quando a preparação diminui porque o adversário é considerado inferior, a diferença econômica deixa de ser vantagem e passa a ser uma cobrança ainda maior. Em Cusco, o Cienciano não precisou de explicações: precisou apenas marcar seis vezes.