Com recursos garantidos no Plano Plurianual e apoio federal, reconstrução da BR-319 ganha impulso após décadas de impasses e debates ambientais.
A recuperação do Trecho do Meio da BR-319 deve contar com mais de R$ 2 bilhões em investimentos até 2027, sendo cerca de 73% desse valor provenientes de uma emenda parlamentar apresentada pelo senador Omar Aziz em 2023. O recurso, estimado em R$ 1,5 bilhão, foi incluído no Plano Plurianual (PPA) da União para financiar obras de adequação e restauração entre os quilômetros 250,7 e 656,4 da rodovia, considerada o trecho mais crítico da estrada.
A BR-319 liga Manaus a Porto Velho e é vista como estratégica para integrar o Amazonas ao restante do país por via terrestre. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) dividiu o segmento em quatro lotes, que estão em fase final de análise das propostas de licitação.
Segundo os documentos da emenda, os recursos seriam liberados de forma escalonada: R$ 300 milhões previstos para 2025, R$ 600 milhões em 2026 e outros R$ 600 milhões em 2027. O senador argumentou que a recuperação da rodovia vai beneficiar diretamente municípios do Amazonas e ampliar as alternativas logísticas para a Zona Franca de Manaus, além de facilitar o escoamento da produção regional e a conexão com países vizinhos.
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Durante visita ao Amazonas nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a ordem de serviço do Lote 4 da obra, avaliado em R$ 362 milhões. O trecho compreende o segmento entre os quilômetros 469,6 e 590,1 da rodovia. A execução ficará sob responsabilidade da Construtora Etam Ltda., empresa do Acre que atua em grandes contratos de infraestrutura na região.
Os demais lotes identificados como 5A, 5B e 6 ainda aguardam conclusão das análises técnicas e somam mais de R$ 678 milhões em investimentos previstos.
A retomada das obras no Trecho do Meio só foi possível após mudanças na legislação ambiental, que passaram a permitir melhorias em rodovias já pavimentadas sem necessidade de novo licenciamento ambiental. A decisão, no entanto, é contestada judicialmente por entidades ambientais, que alertam para riscos de aumento do desmatamento e impactos em áreas preservadas da Amazônia.
Em resposta às críticas, o governo federal anunciou um conjunto de medidas de monitoramento ambiental e proteção socioambiental. Entre elas estão sistemas de fiscalização integrada, instalação de torres de observação, estações meteorológicas e ações coordenadas entre Ibama, ICMBio, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal ao longo da rodovia.
O governo também pretende estruturar uma Parceria Público-Privada (PPP) para manutenção e gestão da BR-319 até 2028. A proposta prevê investimentos estimados em R$ 20 bilhões ao longo de 20 anos, unindo recuperação da estrada e monitoramento ambiental permanente.
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Construída durante o regime militar, a BR-319 possui cerca de 918 quilômetros de extensão e foi inaugurada em 1972. Desde o fechamento do tráfego contínuo, em 1988, a rodovia se tornou alvo de sucessivos debates políticos, econômicos e ambientais, sem que a reconstrução integral avançasse de forma definitiva.