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BR-319 ganha Passagem de Fauna e tira mais uma 'desculpa' do Ministério do Meio Ambiente para travar repavimentação
Foto: Reprodução

A rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), acaba de dar um importante passo para conciliar infraestrutura e preservação ambiental. Na última quinta-feira (10), foi formalizada a doação de mais uma Passagem Superior de Fauna (PSF) instalada na rodovia ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), marcando um feito inédito para a Amazônia e reforçando que o meio ambiente não pode mais ser usado como pretexto para barrar a repavimentação da estrada.

 

A estrutura está localizada no km 271, próxima à Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó Açu, a cerca de 12 km da comunidade de São Sebastião do Igapó Açu. A cerimônia de entrega ocorreu no auditório do DNIT, em Manaus, e reuniu cerca de 60 representantes de instituições públicas, organizações ambientais e empresas responsáveis pelo projeto.

 

Projetada para animais que vivem e se locomovem pelas copas das árvores, como primatas, a passagem aérea é composta por cabos, postes de concreto e tubos de polietileno de alta densidade (PEAD), funcionando como uma ponte suspensa que reconecta os habitats separados pela rodovia. Além de preservar a biodiversidade, a estrutura visa reduzir drasticamente os atropelamentos de fauna silvestre, um problema frequente em trechos já pavimentados da estrada.

 

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A obra foi idealizada pela consultoria ViaFauna, sob coordenação da bióloga Fernanda Abra, referência nacional em ecologia de estradas. Sua implantação foi realizada com o apoio técnico da Wildlife Conservation Society (WCS) Brasil e do Consórcio Concremat/Hollus, responsável pela gestão ambiental da BR-319.

 

Outras empresas como LCM Construtora, Consórcio SPU e STE Engenharia também participaram da execução. Durante o evento, vídeos explicativos demonstraram a eficácia das passagens em outras regiões do país, onde já foram observados resultados positivos no deslocamento seguro de animais silvestres.

 

O DNIT destacou a durabilidade dos materiais usados, que podem chegar a 50 anos, e reforçou seu compromisso com o monitoramento contínuo das estruturas por meio de câmeras instaladas e protocolos rigorosos. Segundo a Coordenação-Geral de Meio Ambiente do DNIT, mais de 1,5 mil passagens de fauna já são monitoradas em rodovias sob sua jurisdição em todo o país.

 

As informações coletadas ajudam a identificar os animais que utilizam ou evitam essas estruturas, permitindo ajustes técnicos e garantindo maior efetividade na proteção da fauna. Argumento ambiental perde força A instalação da PSF enfraquece um dos principais argumentos utilizados por setores do Ministério do Meio Ambiente e por ONGs contrárias à pavimentação total da BR-319: o risco à biodiversidade local.

 

Com a implementação de tecnologias ambientais eficazes e o compromisso assumido pelo DNIT com a manutenção e monitoramento da fauna, fica claro que é possível avançar na reestruturação da rodovia com responsabilidade ecológica. A BR-319 é considerada um elo estratégico para a integração da Amazônia ao restante do país, tanto do ponto de vista logístico quanto econômico. Ainda assim, sua repavimentação sofre entraves há anos sob justificativas ambientais.

 

Agora, com a primeira passagem de fauna instalada e operando, cresce a pressão para que o governo federal destrave de vez o processo e enfrente os verdadeiros desafios de forma transparente e técnica — e não por motivações ideológicas ou pressões externas. Um modelo a ser replicado A PSF do km 271 inaugura uma nova fase para a BR-319 e serve como modelo para projetos semelhantes ao longo do seu trajeto.

 

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A ideia é que novas estruturas do tipo sejam implantadas em pontos estratégicos, especialmente nas áreas mais sensíveis do ponto de vista ecológico. O gesto simbólico da doação da estrutura ao DNIT representa não apenas o encerramento de uma etapa, mas também um marco de compromisso permanente entre desenvolvimento e preservação. Um recado claro: com responsabilidade técnica, ciência e boa vontade política, é possível fazer da BR-319 um exemplo de infraestrutura sustentável no coração da Amazônia.

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