Com Selic em alta, número de devedores cresce e pressiona consumo e economia.
O Brasil encerrou 2025 com níveis recordes de inadimplência, mesmo com o desemprego em patamar historicamente baixo. Dados de birôs de crédito e entidades do setor apontam que o encarecimento do crédito e a redução dos prazos para pagamento dificultaram a vida financeira das famílias.
Segundo a Serasa, o país terminou o ano com 81,2 milhões de inadimplentes, alta de 10,5% em relação a dezembro de 2024. A economista Camila Abdelmalack afirma que o mercado de trabalho aquecido acabou contribuindo indiretamente para esse cenário, já que a maior oferta de empregos ampliou o acesso ao crédito e ao financiamento de compras.
A taxa de desemprego recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, a menor desde o início da série histórica do IBGE em 2012. No entanto, o cenário mudou com a elevação da Selic. A taxa básica, que chegou a 10,5% em determinado momento, favoreceu a expansão do crédito em 2024. Com a alta para 15%, as condições de financiamento se tornaram mais rígidas e a rolagem de dívidas ficou mais difícil.
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A Equifax Boa Vista também registrou aumento no número de negativados, com crescimento de 7,2% e cerca de 59 milhões de CPFs nessa condição ao fim de 2025. Apesar disso, a instituição observa desaceleração recente no ritmo de crescimento do indicador.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontou que o nível de endividamento das famílias chegou a 78,9% em dezembro de 2025, o maior para o mês em toda a série histórica. O economista Fabio Bentes destaca que o crédito mais caro e prazos menores contribuíram para esse avanço. O prazo médio das operações caiu de 60,9 para 58,6 meses, enquanto no crédito pessoal recuou de 71,24 para 67 meses.
O impacto também foi sentido no comércio. As vendas cresceram cerca de 2% no ano passado, mas poderiam ter avançado ao menos 5% sem juros tão elevados. Para especialistas, a política fiscal contribuiu para a manutenção da Selic em patamar alto.
Economistas destacam ainda que o aumento da taxa básica é repassado às linhas de crédito livres, elevando a inadimplência e criando um ciclo de retroalimentação: mais atrasos levam a juros mais altos. Dados do Banco Central mostram que o spread bancário subiu de 17,5% em dezembro de 2024 para 20,9% em novembro de 2025.
No sistema financeiro, a inadimplência das pessoas físicas também cresceu, passando de 5,6% em janeiro para 6,9% em dezembro. Parte da alta está ligada a mudanças nas regras do Conselho Monetário Nacional, que ampliaram o conceito de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias.
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Apesar do cenário, a expectativa de especialistas é de melhora gradual com a possível queda dos juros ao longo deste ano. Ainda assim, o alto nível de endividamento segue como fator de risco para o consumo e para o ritmo da economia.