Próximo ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, o Ministério da Saúde lançou um novo programa que busca valorizar equipes hospitalares e ampliar número de doadores
O Brasil registrou, no primeiro semestre de 2025, a maior marca de transplantes de sua história: foram 14,9 mil procedimentos, segundo dados divulgados na última quinta-feira (25/9) pelo Ministério da Saúde. O número representa crescimento de 21% em relação a 2022. Apesar do avanço, o país ainda enfrenta um desafio decisivo: 45% das famílias se recusam a autorizar a doação de órgãos.
As medidas foram anunciadas às vésperas do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, data criada para incentivar a reflexão sobre a importância desse gesto capaz de salvar vidas.
Para enfrentar o gargalo, a pasta lançou o "Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes" (Prodot), que passa a reconhecer e valorizar equipes hospitalares envolvidas na identificação de potenciais doadores, na logística e, sobretudo, no diálogo com familiares em um dos momentos mais delicados.
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“O objetivo é dar segurança às famílias e mostrar que o Sistema Nacional de Transplantes é sólido e reconhecido mundialmente. Queremos que cada profissional que aborda uma família seja também um porta-voz dessa confiança”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha em comunicado oficial.
Além do Prodot, o governo anunciou a criação da Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT), pela primeira vez formalizada em portaria específica desde 1997. O conjunto de medidas prevê R$ 20 milhões em investimentos anuais e inclui a incorporação de novos procedimentos no SUS, como o transplante multivisceral e o uso de membrana amniótica para tratamento de queimaduras graves.
Também foram regulamentados transplantes de intestino delgado, adotado o uso da prova cruzada virtual para maior segurança imunológica e definidos critérios de prioridade para pacientes com maior dificuldade de compatibilidade.
Embora o Brasil ocupe a terceira posição mundial em número absoluto de transplantes, atrás apenas de Estados Unidos e China, o país ainda está entre o 20º e o 30º lugar quando a comparação é feita por milhão de habitantes.
“Um dos grandes problemas é que apenas um em cada cinco potenciais doadores com morte encefálica chega a ser notificado”, explica José Eduardo Afonso Jr., coordenador do Programa de Transplantes do Hospital Israelita Albert Einstein. Segundo ele, além da falta de notificação, a recusa familiar ainda representa cerca de 40% dos casos.
Afonso ressalta que há uma enorme heterogeneidade regional. “Enquanto estados como Paraná e Santa Catarina têm índices comparáveis aos melhores do mundo, há unidades da federação que passam um ano inteiro sem registrar uma única doação.”
Entre as medidas consideradas prioritárias, o especialista cita auditoria em hospitais com alto volume de traumas, capacitação de equipes para diagnóstico de morte encefálica e educação da população sobre o tema.
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Atualmente, mais de 80 mil pessoas aguardam um transplante no Brasil. A campanha nacional deste ano, lançada pelo Ministério da Saúde, reforça a importância de conversar com a família sobre a decisão. Com o mote “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”. A iniciativa dá voz a familiares que autorizaram a doação e a profissionais que transformam esse gesto em vidas salvas.
Fonte: Correio Braziliense