De acordo com o pesquisador Ernesto Goulart, do Instituto de Biociências da USP, o processo envolveu técnicas avançadas de edição genética
Pesquisadores brasileiros alcançaram um marco histórico na ciência ao desenvolver o primeiro porco clonado da América Latina, com foco no uso futuro de seus órgãos em transplantes humanos. O feito foi liderado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e representa um avanço significativo na área de xenotransplantes — procedimento que envolve a transferência de órgãos entre espécies diferentes.
O animal nasceu no fim de março, em um laboratório localizado em Piracicaba (SP), após anos de estudos e tentativas. O projeto integra um esforço científico de grande escala que busca tornar possível a produção de órgãos compatíveis com o corpo humano, reduzindo a rejeição e ampliando as chances de sucesso em transplantes.
A iniciativa utiliza técnicas avançadas de edição genética, como o CRISPR, para modificar o DNA do porco. Os cientistas desativaram genes responsáveis pela rejeição imediata dos órgãos e inseriram genes humanos nas células do animal, tornando seus tecidos mais compatíveis com o organismo humano.
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Os suínos são considerados ideais para esse tipo de pesquisa porque possuem órgãos com tamanho e funcionamento semelhantes aos dos humanos, além de apresentarem rápida reprodução e facilidade de manejo. Com cerca de sete meses de idade, eles já atingem o porte necessário para fornecer órgãos a um adulto.
O objetivo principal do projeto é reduzir a dependência de doadores humanos e diminuir as longas filas por transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, a tecnologia possa suprir grande parte da demanda por órgãos, beneficiando milhares de pacientes que aguardam na fila por um transplante.
Apesar do avanço, os especialistas ressaltam que a aplicação clínica ainda depende de novas etapas de pesquisa, testes e validações para garantir segurança e eficácia. Ainda assim, o nascimento do porco clonado já é considerado um passo decisivo para o desenvolvimento dessa tecnologia no Brasil e na América Latina.
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O projeto também posiciona o país na vanguarda da biotecnologia aplicada à medicina, mostrando o potencial da ciência nacional em desenvolver soluções inovadoras para problemas complexos da saúde pública.