É boa a notícia que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) tenha retirado o Brasil do Mapa da Fome, depois de três anos integrando essa lista vergonhosa.
No período entre 2022 e 2024, menos de 2,5% da população brasileira apresentou risco de subnutrição ou de falta de acesso a alimentação suficiente. Significa que o problema foi resolvido de forma definitiva? Por certo, não. Trata-se de um retrato dos últimos três anos, que pode mudar para pior, como já mudou outras vezes.
O passado recente mostra que a linha é tênue. Em 2014, o país celebrou ter deixado pela primeira vez o Mapa da Fome, permanecendo assim até 2018. Mas, no período 2019-2020-2021, as condições se deterioraram, e o Brasil retornou. “Em primeiro lugar, é preciso dizer que a gente melhorou. Saímos da crise aguda”, diz Laura Müller Machado, professora de gestão pública do Insper. “Mas o grande problema é que não sabemos exatamente as políticas públicas que tiraram o país do Mapa da Fome”, completa.
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Sabe-se que o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) tiveram papel relevante. A exata contribuição de cada um, porém, é um mistério. Conhecer e documentar as estratégias que estão dando certo é fundamental para continuar combatendo a fome nos lugares onde ela persiste.
Estar fora do Mapa da Fome não quer dizer que o problema foi erradicado. O relatório da ONU não especifica o percentual exato da população brasileira em risco de subnutrição, apenas que está abaixo de 2,5%. Há, portanto, um contingente que pode chegar próximo de 5,3 milhões que não se alimenta de forma suficiente.
Por ora, o governo só está preocupado em se promover. A saída do Mapa da Fome foi rapidamente incluída na propaganda oficial. Como era esperado, o Ministério do Desenvolvimento Social atribuiu a melhoria do cenário a decisões políticas que “priorizaram a redução da pobreza, o estímulo à geração de emprego e renda, o apoio à agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso à alimentação saudável”. Nenhuma ênfase a pesquisas detalhadas e independentes para saber o que deu certo e o que não deu.
Não se pode perder de vista que, com sua política econômica errática e a conhecida resistência ao controle de gastos, o governo Luiz Inácio Lula da Silva tem contribuído para manter a inflação fora da meta, o que afeta o custo de vida de todos, incluindo a parcela da população em risco de subnutrição. Inflação alta é um dos fatores que mais dificultam o acesso aos alimentos.
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O Brasil investe um volume grande de recursos em programas sociais. Como mostrou reportagem do GLOBO, já existem mais de 2 mil iniciativas similares ao Bolsa Família espalhadas por diferentes estados e cidades do país. A atenção aos mais vulneráveis é um avanço conjunto da sociedade brasileira, mas o risco de duplicidades, ineficiências ou de falta de foco é alto. Cada real desperdiçado condena mais brasileiros à miséria e à subnutrição.
Fonte: O Globo