Governo Lula realizou nova reunião com autoridades norte-americanas e voltou a contestar a proposta de sobretaxa, cuja decisão deve ser anunciada nesta quarta-feira.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, na tarde desta terça-feira (14), mais uma rodada de negociações com representantes dos Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A reunião ocorreu às vésperas do anúncio oficial da medida, previsto para esta quarta-feira (15).
O encontro, considerado o quinto de alto nível entre os dois países, contou com a participação do Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, além de integrantes dos ministérios brasileiros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.
Durante a reunião, o governo brasileiro voltou a afirmar que considera injustificadas as recomendações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação que propôs a imposição da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O Brasil também contestou a proposta de uma sobretaxa adicional de 12,5% relacionada a investigações sobre trabalho forçado.
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Em nota oficial, o governo destacou que nenhuma das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos sustenta a adoção das tarifas e reiterou que medidas desse tipo não contribuem para a construção de um acordo comercial equilibrado entre os dois países.
A proposta norte-americana foi apresentada em junho, após uma investigação conduzida pelo USTR. O relatório aponta supostas práticas brasileiras que, na avaliação do órgão, dificultariam o comércio com os Estados Unidos. Entre os temas analisados estão o comércio digital, os serviços de pagamento eletrônico com destaque para o Pix, a proteção à propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.
Paralelamente, os Estados Unidos também estudam aplicar uma sobretaxa de 12,5% a produtos provenientes de 59 países, incluindo o Brasil, alegando falhas no combate à produção e comercialização de bens associados ao trabalho forçado.
Além da confirmação da tarifa, o governo norte-americano deverá divulgar a lista dos produtos brasileiros que serão atingidos pela medida. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a expectativa é de que as novas tarifas sejam implementadas, restando apenas definir quais setores serão afetados e o alcance das alíquotas.
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A avaliação do governo brasileiro é que, apesar das sucessivas reuniões e da apresentação de argumentos técnicos, ainda não há sinais de um acordo próximo entre os dois países, mantendo o cenário de incerteza para exportadores brasileiros.