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Brasil pode incluir Bitcoin em suas reservas internacionais, como ouro e dólar
Foto: Reprodução

Audiência pública na Câmara dos Deputados vai debater Projeto de Lei 4501/24, que cria a Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins (RESBit)

Acontece, amanhã (20), uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir uma pauta que tem movimentado o mercado de criptoativos e autoridades monetárias ao redor do mundo: a constituição de reservas soberanas com Bitcoin.

 

A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) vai ouvir representantes do segmento de criptoativos e do sistema financeiro tradicional para avaliar a viabilidade de o Brasil estabelecer uma reserva de Bitcoins, assim como o ouro e o dólar.

 

A proposta foi apresentada pelo deputado Eros Biondini (PL-MG), no Projeto de Lei 4501/24, que cria a Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins (RESBit). Pela proposta, a gestão da RESBit ficaria a cargo do Banco Central (BC), junto com o Ministério da Fazenda, e o estoque de Bitcoins ficaria limitado a 5% das reservas brasileiras, com “aquisição planejada e gradual”.

 

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No texto do projeto de lei, Biondini justifica que a RESBit será destinada a “diversificar os ativos financeiros do Tesouro Nacional e proteger as reservas internacionais contra flutuações cambiais e riscos geopolíticos”. Além disso, defende que possa “fomentar o uso de tecnologias blockchain no setor público e privado”.

 

O mais recente Relatório de Gestão de Reservas Internacionais, publicado em março pelo Banco Central, com dados fechados de dezembro de 2024, aponta que as reservas brasileiras em moedas estrangeiras somavam cerca de US$ 330 bilhões.

 

Desse montante, 78,45% estavam lastreados em dólar norte-americano (USD), 5,31% em renminbi (CNY, a moeda chinesa), 5,23% em euro (EUR), 3,69% em libra esterlina (GBP, do Reino Unido), 3,55% em ouro, 1,73% em iene (JPY), 1,05% em dólar canadense (CAD) e 0,99% em dólar australiano (AUD).

 

Pela proposta de até 5%, a reserva brasileira em Bitcoin poderia ficar acima da quantidade de algumas moedas fortes, como a libra e o iene, assim como de ouro, considerado um ativo de proteção.

 

“A alocação das reservas internacionais é feita de acordo com o tripé segurança, liquidez e rentabilidade, nessa ordem, sendo a política de investimentos definida pela Diretoria Colegiada do Banco Central”, explica a autoridade monetária. “As reservas internacionais funcionam como uma espécie de seguro para o país fazer frente às suas obrigações no exterior e a choques de natureza externa, tais como crises cambiais e interrupções nos fluxos de capital para o país.”

 

A formação de reservas soberanas de Bitcoin é um dos gatilhos defendidos e aguardados pelos agentes do mercado cripto para a primeira e principal representante do segmento alcançar novos patamares de preço, podendo superar os US$ 200 mil, segundo algumas estimativas.

 

No entanto, a realidade tem frustrado as expectativas. A possibilidade de compra direta de Bitcoin pelo governo americano para compor reservas do Tesouro foi um dos principais alicerces que levaram à forte valorização no início deste ano. A promessa de Donald Trump, em sua campanha presidencial, foi cumprida, mas em parte.

 

O decreto de Trump, assinado em março passado, oficializou a reserva estratégica soberana de Bitcoin, mas não estabeleceu que o governo fosse a mercado realizar compras diretas, mas que ficaria restrita às quantidades apreendidas pelo Departamento de Justiça em ações contra crimes e práticas ilícitas.

 

Na semana passada, declarações do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sepultaram de vez as expectativas do mercado. Bessent reforçou que as reservas americanas serão compostas apenas por Bitcoins apreendidos e que o governo não os colocará à venda.

 

As iniciativas em torno da formação de reservas soberanas de Bitcoin por meio de compras diretas têm se concentrado em países de menor porte econômico, como é o caso de El Salvador e do Butão. O país da América Central possui 6.135 BTC (cerca de US$ 705 milhões) no Tesouro e o reino do Sudeste Asiático tem 7.486 BTC (pouco mais de US$ 860 milhões), de acordo com o rastreador de dados Bitcoin Reserve Tracker.

 

A plataforma informa ainda que países como Reino Unido, China e Finlândia também possuem uma grande quantidade de Bitcoins, oriundos de apreensões, mas que não compõem suas reservas soberanas.

 

Em julho do ano passado, a Alemanha provocou uma forte queda no preço do Bitcoin ao liquidar cerca de 16.000 BTC apreendidos em diversas operações contra crimes e ilícitos. Segundo agências internacionais, os alemães venderam o equivalente a quase US$ 1 bilhão, em apenas oito horas.

 

A volatilidade característica do mercado de cripotativos é o principal argumento contra a formação de reservas em Bitcoin. Em janeiro deste ano, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE) declarou que Bitcoin não vai fazer parte das reservas da autoridade monetária da União Europeia. “Reservas devem ser líquidas, seguras, protegidas e sem a suspeita de lavagem de dinheiro e outras atividades ilegais”, disse, à época, em entrevista coletiva.

 

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O projeto de lei sobre as reservas brasileiras ainda tem um longo caminho a percorrer no poder legislativo. Além da CDE, será analisado ainda pelas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI), de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), de acordo com a Agência Câmara de Notícias. Com pareceres favoráveis, o texto pode ir para votação na Câmara e no Senado, mas não há prazos definidos para cada uma dessas etapas.

 

Fonte: Valor Investe

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