Governo busca cooperação tecnológica com países europeus para agregar valor à exploração de recursos estratégicos.
O Brasil busca ampliar a cooperação com países europeus para explorar minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para setores como energia limpa, tecnologia e defesa. A intenção foi destacada pelo embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares.
O diplomata falou sobre o tema durante entrevista coletiva concedida a jornalistas em Hannover, no norte da Alemanha, durante um evento de apresentação da Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo. A edição deste ano ocorrerá entre 20 e 24 de abril e terá o Brasil como país parceiro.
Segundo o embaixador, a aproximação entre o Brasil e a Europa impulsionada por iniciativas como o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre espaço para cooperação na exploração desses recursos estratégicos. No entanto, o objetivo brasileiro é ir além da simples exportação de matérias-primas.
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Baena Soares defendeu que o país participe de forma mais ativa na cadeia produtiva global. Para isso, o governo busca parcerias que incluam transferência de tecnologia e investimentos em produção e processamento no território brasileiro.
“O importante é evitar um modelo tradicional baseado apenas na exportação de minerais brutos. Precisamos agregar valor no Brasil e participar de toda a cadeia de suprimentos”, afirmou o diplomata.
Ele também ressaltou que o país possui reservas expressivas de minerais estratégicos, especialmente de terras raras, mas ainda não ocupa posição de destaque na extração e no refino desses materiais. Segundo ele, a tecnologia europeia especialmente a alemã pode contribuir para ampliar o desenvolvimento do setor no país.

Os chamados minerais críticos são fundamentais para a produção de equipamentos de alta tecnologia e soluções de energia limpa. Entre eles estão o lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês e nióbio, além do grupo das terras raras, composto por 17 elementos químicos.
Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país detém cerca de 94% das reservas mundiais de nióbio, além de possuir a segunda maior reserva de grafita e a terceira de níquel. Já em relação às terras raras, o Brasil concentra aproximadamente 23% das reservas globais.

Esses minerais são amplamente utilizados na fabricação de turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos aeroespaciais, como satélites e foguetes. Apesar do potencial, estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que o Brasil ainda precisa avançar na produção e no processamento desses recursos para ampliar sua participação no mercado internacional.
A Hannover Messe também será utilizada pelo governo brasileiro para apresentar oportunidades de investimento no setor mineral. Cerca de 140 empresas do país devem participar do evento, levando tecnologias e inovações industriais ao mercado europeu.

Foto: Reprodução
Durante a feira, também está previsto um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz. A expectativa é que o evento fortaleça os laços econômicos entre os dois países e amplie o debate sobre cooperação industrial e energética.
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Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o comércio bilateral entre Brasil e Alemanha alcançou cerca de US$ 20,9 bilhões em 2025. A Alemanha figura entre os principais parceiros comerciais e investidores no país, com mais de mil empresas atuando no mercado brasileiro.