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Meio Ambiente
Brasil tem 3,4 milhões de fragmentos de vegetação nativa, e áreas preservadas estão cada vez menores e isoladas
Foto: Zig Koch/SOS Mata Altântica/Mata Atlântica

Número de fragmentos cresceu 45% desde 1986, segundo o MapBiomas. Ao mesmo tempo, a área média dessas porções de vegetação caiu 43%

As áreas de vegetação nativa do Brasil estão cada vez mais divididas e isoladas, segundo um levantamento do MapBiomas divulgado nesta quarta-feira (28). Em 2024, o país contabilizava aproximadamente 3,41 milhões de fragmentos de vegetação, um aumento de 45% em relação a 1986. Ao mesmo tempo, o tamanho médio dessas áreas diminuiu significativamente.

 

Os dados mostram que a área média dos fragmentos caiu de 287 hectares, em 1986, para 163 hectares, em 2024, uma redução de 43%. Esse cenário indica que, além da perda de vegetação, os remanescentes naturais estão separados por áreas ocupadas por pastagens, lavouras e cidades, dificultando a conexão entre os ecossistemas.

 

A fragmentação pode trazer consequências importantes para a fauna e a flora. Com áreas menores e mais isoladas, animais encontram mais dificuldades para circular e encontrar parceiros para reprodução. O processo também pode reduzir a diversidade genética das populações e aumentar a exposição das áreas ao fogo e a outros fatores de degradação.

 

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Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Paraná concentram juntos 49% dos fragmentos de vegetação nativa registrados no país. A concentração, porém, não significa que esses estados tenham mais áreas preservadas, mas indica que a vegetação remanescente está bastante dividida. Em 46% dos municípios brasileiros, a área média dos fragmentos é inferior a 25 hectares.

 

A região Norte ainda reúne as maiores extensões contínuas de vegetação nativa. No Amazonas, cada fragmento possui, em média, cerca de 4 mil hectares. Mesmo assim, a Amazônia também enfrenta avanço da fragmentação: o número de fragmentos no bioma passou de 144 mil, em 1986, para 519 mil, em 2024, crescimento de 260%. No mesmo período, a área média dessas porções caiu 76%, de 2,7 mil para 662 hectares.

 

Entre os biomas brasileiros, a Mata Atlântica lidera em número de fragmentos, com aproximadamente 1,38 milhão, seguida pelo Cerrado, com 957 mil. O levantamento também aponta que entre 10% e 24% da vegetação nativa brasileira estava exposta, em 2024, a pelo menos um fator de degradação, como queimadas, isolamento, corte seletivo ou alterações na cobertura das árvores.

 

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Os dados reforçam a importância de medidas de conservação e recuperação ambiental. Segundo o MapBiomas, o levantamento pode ajudar a orientar ações para restaurar áreas degradadas e reconectar fragmentos de vegetação nativa, favorecendo a circulação das espécies e a manutenção da biodiversidade em diferentes regiões do país. 

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