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Brasil vai propor aos EUA que tarifaço exclua suco de laranja, café e Embraer, dizem fontes
Foto: Reprodução

Interlocutores que acompanham a negociação afirmam que essa é uma das estratégias. Americanos compram 42% das exportações de suco de laranja e 17% das vendas de café brasileiro ao exterior

Nas conversas que mantém com representantes de comércio dos EUA, o governo brasileiro vai propor excluir alguns itens, como suco de laranja e café, do tarifaço de 50%. Esta é uma das alternativas que será colocada à mesa, se não for possível prorrogar a entrada em vigor da tarifa na sexta-feira, para todos os produtos brasileiros, segundo fontes próximas dos setores que acompanham a movimentação das autoridades brasileiras. O governo também tem a intenção que os aviões da Embraer também fiquem fora do tarifaço.

 

Nesta terça-feira, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou em entrevista à CNBC que os EUA avaliam isentar de tarifas alimentos e outros recursos naturais que não são produzidos no território americano. Ele citou café e cacau, mas não fez qualquer menção ao Brasil.

 

O suco de laranja e o café são produtos que vão sofrer enorme impacto se o tarifaço for de fato implementado. Para o setor de suco de laranja, o cálculo é de um prejuízo de até R$ 4,3 bilhões se a tarifa de 50% não for suspensa. O Brasil é atualmente o maior produtor e exportador de suco de laranja do planeta, vendendo 95% de sua produção para o exterior. Desse volume, 42% tem os Estados Unidos como destino.

 

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A tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras de suco de laranja para os Estados Unidos pode gerar impacto anual de até US$ 792 milhões (R$ 4,3 bilhões). A estimativa de impacto de US$ 792 milhões considera a aplicação acumulada da nova tarifa de 50% com a alíquota adicional de 10%, anunciada em abril.

 

O valor representa um aumento de cerca de 456% em relação aos impostos pagos na safra 2024/25, que somaram US$ 142,4 milhões, segundo a Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos (CitrusBR), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

 

O cálculo considera o desempenho da safra encerrada em 30 de junho e inclui as tarifas de acesso ao mercado americano. Na safra 2024/25, os Estados Unidos foram o segundo principal destino do suco brasileiro, com 41,7% de participação, atrás apenas da Europa. Foram exportadas 307.673 toneladas, o equivalente a cerca de 85 milhões de caixas de 40,8 quilos, com receita total de US$ 1,31 bilhão.

 

A produção americana de laranjas foi duramente impactada pelo greening, uma doença incurável, que faz o fruto cair verde, antes de amadurecer, e deixa um gosto amargo. A Flórida era a região com a segunda maior produção mundial de laranjas, mas a doença provocou uma redução de 90% na safra a partir do final dos anos 2000. Por isso, o país é tão dependente do suco de laranja brasileiro. Hoje, o Brasil paga uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada para exportar aos EUA.

 

No caso do café, o Brasil é o principal fornecedor da bebida aos EUA, que comprou 17% de todo o café brasileiro exportado entre janeiro e maio deste ano. A questão é que se o produto brasileiro for taxado em 50%, dificilmente outro país poderá suprir toda a demanda dos EUA — e o café ficará mais caro para os americanos.

 

Além de suco de laranja e café, há intenção do governo de que os aviões da Embraer também fiquem fora do tarifaço. O presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, também está nos EUA, mostrando que o país também perderá se os produtos da empresa foram sobretaxados. A fabricante de aviões tem uma unidade naquele com 3 mil funcionários, além de US$ 3 bilhões em ativos.

 

Outro trunfo da Embraer é que até 2030 existe um potencial de compra de US$ 21 bilhões em equipamentos de fornecedores dos EUA, que vão compor os aviões que serão exportados para todo o mundo. Os EUA representam 45% de mercado de seus jatos comerciais e 70% dos jatos executivos.

 

A Embraer já vinha acionando canais nos EUA antes mesmo dos 50% de tarifa serem anunciados. A fabricante já estava negociando a redução da tarifa mínima de 10%, que tinha sido imposta ao Brasil.

 

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A Embraer também fez um cálculo sobre como o tarifaço pode impactar seu caixa: até 2030 a empresa terá um custo de adicional de R$ 20 bilhões, considerando todas as encomendas já feitas, já que o gasto para fabricação de cada avião subirá em R$ 50 milhões por unidade. Isso reduz a competitividade das aeronavez nacionais no mercado americano.
 

Fonte: O Globo

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