“Béncontro” reúne tutores de caprinos, promove socialização e ajuda a quebrar preconceitos
Quem passeava pelo Parque Ibirapuera, em São Paulo, na tarde do último domingo (8/2), se deparou com uma cena fora do comum: entre corredores, ciclistas e famílias estendendo cangas na grama, cabras de coleira caminhavam tranquilamente ao lado de seus tutores. O encontro, apelidado de “Béncontro”, foi gratuito, aberto ao público e rapidamente chamou atenção de curiosos e da internet.
O evento reuniu criadores e admiradores de caprinos de estimação em um espaço tradicionalmente ocupado por cães. Desta vez, porém, os latidos deram lugar aos “bééés” e às interações cheias de afeto entre animais e visitantes.
A iniciativa partiu de tutores que já trocavam experiências em grupos online. Camila Postal, que cuida de três cabras e um bode ao lado do marido, conta que a ideia surgiu da vontade de fortalecer a comunidade.
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“Quando nos tornamos tutores de pets tão diferentes, passamos a frequentar grupos digitais focados na criação de cabras para compartilhar experiências e dicas. Então pensamos: por que não nos encontrarmos pessoalmente para estreitar os laços e socializar nossos bodinhos?”, explica.
Segundo Camila, todos os animais presentes já são acostumados ao convívio com cães, gatos e outros pets. No entanto, por serem incomuns como animais de estimação, raramente têm oportunidade de interagir entre si o que torna encontros como esse ainda mais importantes.
VÍNCULO E AFETO
Luci, Lilith, Hécate e Astarte são os quatro caprinos da família. De acordo com Camila, o apego dos animais aos tutores é intenso e surpreende quem ainda associa cabras apenas ao ambiente rural.
“Eles gostam de brincar e interagir, mas sempre voltam para a gente em busca de carinho, colo ou petisco. Às vezes, olham para trás só para ter certeza de que estamos ali”, relata.
O vínculo é tão forte que, segundo ela, basta fingir que está indo embora para que os pets deixem de “empacar” e corram atrás dos donos. E o apego não é unilateral: como qualquer tutor sabe, o laço emocional entre humanos e animais se constrói rapidamente, independentemente da espécie.

Foto: Reprodução
Para Camila, encontros como o Béncontro também fortalecem o sentimento de pertencimento. “É muito bom saber que existem outras pessoas que enxergam o quanto esses bichinhos são incríveis. A gente sente que está ajudando a apresentar um animal diferente para mais pessoas.”
Além disso, o passeio proporciona novas experiências aos caprinos. “Ver a felicidade deles conhecendo lugares, pessoas e amigos novos é o que mais nos deixa felizes. O evento faz bem para eles e para nós.”
CUIDADOS ESSENCIAIS
Apesar do clima descontraído, há uma série de cuidados necessários para garantir o bem-estar dos animais. Camila destaca que o ideal é escolher parques amplos e com gramado, onde eles possam pastar naturalmente.
Também não podem faltar água fresca em abundância e petiscos adequados, como frutas, folhas, ração específica e até biscoitos veganos.
Outro ponto de atenção é a limpeza do local. “Caprinos adoram comer qualquer coisa que encontram no chão. Se vemos lixo, corremos para recolher. E também precisamos evitar que alguém ofereça algo que eles não possam comer”, alerta.
QUEBRANDO ESTEREÓTIPOS
Além de promover a socialização, o Béncontro também ajuda a combater preconceitos. Para Camila, muitas pessoas ainda veem cabras como animais agressivos ou até associam a espécie a estigmas negativos.
“Quem convive com eles sabe como são amorosos, espertos e divertidos. Muita gente chega com receio, perguntando se dão cabeçada, e a gente mostra que não é assim”, diz.

Foto: Reprodução
A cena de uma cabrinha vestida, de coleira, passeando no parque costuma causar surpresa e rapidamente conquista corações. “Nós incentivamos as pessoas a fazer carinho. No primeiro contato, o medo passa.”
Segundo a tutora, há relatos emocionantes de visitantes que se encantam ao interagir com os “cascudinhos”. “Já aconteceu de alguém pegar no colo, ganhar uma lambida e chorar. Eu me emociono junto, é impossível não ter um ataque de ternura”, conclui.
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O sucesso do encontro mostra que, no universo dos pets, há espaço para todas as espécies — inclusive aquelas que fogem do convencional.