NOTÍCIAS
Qualidade de Vida
Café pode mexer com intestino, colesterol e absorção de nutrientes; Veja 7 efeitos
Foto: Divulgação

Bebida reúne centenas de compostos bioativos que podem influenciar a digestão, o microbioma intestinal, alguns medicamentos e até a absorção de ferro

O café costuma ser associado principalmente à cafeína e ao efeito estimulante que ajuda a aumentar o estado de alerta. No entanto, a bebida é muito mais complexa do que uma simples fonte de cafeína dissolvida em água quente.

 

O café contém centenas de compostos bioativos que podem interagir com diferentes sistemas do organismo. Alguns desses efeitos são bastante conhecidos, enquanto outros ainda estão sendo investigados pela ciência. E eles podem ocorrer inclusive com o café descafeinado, indicando que a cafeína não é responsável por todas as reações provocadas pela bebida.

 

Um dos efeitos mais perceptíveis para algumas pessoas ocorre no intestino. Pesquisas indicam que aproximadamente três em cada dez indivíduos relatam vontade de evacuar pouco depois de tomar café. A reação pode acontecer tanto com a versão tradicional quanto com a descafeinada.

 

Veja também 

 

Excesso de peso na adolescência está ligado ao envelhecimento biológico mais rápido ao longo da vida

 

DO TREINO À CORRIDA: Professor Jean Santos leva esporte e qualidade de vida para famílias em Manaus. VEJA VÍDEOS

 

Ainda não está totalmente esclarecido quais substâncias são responsáveis por esse efeito. Além disso, o funcionamento natural do intestino tende a ser mais intenso pela manhã, justamente no período em que muitas pessoas costumam tomar a primeira xícara do dia.

 

Os ingredientes adicionados à bebida também podem contribuir. Leite, por exemplo, contém lactose, enquanto alguns adoçantes sem açúcar podem estimular o funcionamento intestinal, principalmente quando consumidos em grandes quantidades.

 

O café também pode influenciar sintomas relacionados ao refluxo. Em algumas pessoas, a bebida pode piorar o retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago. O problema nem sempre aparece apenas como azia e também pode estar relacionado a tosse, irritação da garganta e outros sintomas.

 

Outro possível efeito envolve a pressão dentro dos olhos. A cafeína pode provocar um aumento temporário da pressão intraocular em algumas pessoas, especialmente naquelas que têm glaucoma ou hipertensão ocular. Como o controle dessa pressão é importante para proteger o nervo óptico, determinados pacientes podem receber orientação médica para reduzir o consumo de cafeína.

 

No ouvido, existe uma condição chamada disfunção da trompa de Eustáquio patulosa, na qual a estrutura que liga o ouvido médio à parte posterior do nariz permanece aberta de maneira anormal. Isso pode fazer com que a própria voz ou a respiração sejam percebidas de maneira excessivamente alta. Pessoas com essa condição podem ser orientadas a reduzir bebidas com cafeína e manter uma boa hidratação, embora não existam evidências suficientes para afirmar que o café provoque diretamente o problema.

 

A relação entre café, cafeína e enxaqueca também não é simples. Em determinadas situações, a cafeína pode contribuir para o alívio da dor de cabeça, inclusive por fazer parte da composição de alguns medicamentos. Por outro lado, o consumo excessivo ou a interrupção repentina do hábito pode desencadear crises em algumas pessoas.

 

Outro ponto que merece atenção são as interações com medicamentos. O café pode interferir na absorção ou no metabolismo de determinados remédios. Entre os exemplos estão a levotiroxina, utilizada no tratamento de alterações da tireoide, e o alendronato, empregado no tratamento da osteoporose.

 

A cafeína também pode ter seu metabolismo alterado por alguns medicamentos. O antibiótico ciprofloxacino, por exemplo, pode reduzir a velocidade com que o organismo elimina a cafeína. Dessa forma, a quantidade de café que uma pessoa normalmente consome pode permanecer por mais tempo no organismo.

 

O colesterol é outro aspecto relacionado ao consumo da bebida. O café contém compostos chamados diterpenos, especialmente cafestol e kahweol, que podem aumentar os níveis de colesterol total e do LDL, conhecido popularmente como colesterol “ruim”.

 

Por outro lado, outros componentes presentes no café, como os ácidos clorogênicos, podem apresentar efeitos diferentes, incluindo pequenas reduções da pressão arterial e possíveis benefícios para a função dos vasos sanguíneos. Por isso, os efeitos gerais da bebida sobre a saúde cardiovascular dependem de diversos fatores e ainda são objeto de investigação.

 

O café também pode interagir com as bactérias presentes no intestino. Alguns compostos da bebida não são absorvidos completamente no intestino delgado e chegam ao cólon, onde podem ser transformados pelas bactérias intestinais.

 

Além disso, carboidratos complexos e substâncias produzidas durante a torrefação, chamadas melanoidinas, podem chegar ao intestino grosso e ser utilizados pelas bactérias durante o processo de fermentação.

 

Estudos realizados em seres humanos já encontraram alterações na composição do microbioma intestinal associadas ao consumo de café. Apesar disso, as evidências ainda estão em desenvolvimento e não permitem classificar a bebida como um probiótico.

 

A absorção de ferro também pode ser afetada. Tomar café junto com uma refeição pode diminuir a quantidade de ferro não heme absorvida pelo organismo. Esse é o tipo de ferro encontrado principalmente em alimentos de origem vegetal.

 

O efeito não está relacionado principalmente à cafeína. Os polifenóis presentes no café, incluindo os ácidos clorogênicos, podem se ligar ao ferro no sistema digestivo e dificultar sua absorção.

 

Essa questão merece maior atenção entre pessoas que já apresentam níveis baixos de ferro ou que dependem principalmente de alimentos vegetais como fonte desse mineral. Para a maioria das pessoas, entretanto, esse efeito não significa que seja necessário abandonar o café no café da manhã.

 

Por fim, o café pode estimular diferentes etapas do processo digestivo. A bebida pode aumentar a atividade de estruturas envolvidas na digestão e estimular o pâncreas a liberar tripsina, uma enzima que participa da quebra de proteínas.

 

Esse efeito também pode ocorrer com o café descafeinado, reforçando a possibilidade de que outros compostos presentes na bebida estejam envolvidos.

 

O café ainda pode interferir em hormônios relacionados à fome e à saciedade. No entanto, os estudos disponíveis não mostram de maneira consistente se essas alterações fazem uma pessoa comer mais ou menos.

 

Apesar da grande quantidade de pesquisas sobre a bebida, os efeitos do café no organismo continuam sendo um tema complexo. Uma única xícara reúne centenas de substâncias capazes de interagir com o sistema digestivo, o microbioma, medicamentos e nutrientes.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram

 

Por isso, os efeitos podem variar de uma pessoa para outra. Para a maioria dos consumidores, o café pode fazer parte da alimentação, mas pessoas com determinadas condições de saúde ou que utilizam medicamentos específicos podem precisar de orientação profissional sobre a quantidade e o horário de consumo. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.