Temperaturas chegam com frequência aos 45ºC e produzem impactos sobre a saúde e a economia locais; premier Narendra Modi vê planos de ação como vitrine para seu país no mundo
A Índia enfrenta um dos maiores desafios provocados pelo avanço das mudanças climáticas: adaptar cidades, sistemas de saúde, agricultura e infraestrutura a ondas de calor cada vez mais intensas e prolongadas. Em diversas regiões do país, temperaturas próximas ou acima dos 45°C já alteram a rotina da população e obrigam autoridades a ampliar medidas de proteção.
O problema deixou de ser tratado apenas como uma questão ambiental e passou a ser encarado também como um risco para a economia e para a saúde pública. O calor extremo aumenta a possibilidade de desidratação, insolação e outras complicações, além de reduzir a capacidade de trabalho e pressionar o consumo de energia, especialmente devido ao uso crescente de aparelhos de refrigeração.
As autoridades indianas vêm ampliando os chamados planos de ação contra o calor, com sistemas de alerta, mudanças nos horários de trabalho, criação de espaços de abrigo e orientações para a população. A preocupação é maior em áreas urbanas densamente povoadas, onde o concreto, a pouca cobertura vegetal e a falta de infraestrutura adequada podem intensificar ainda mais as temperaturas.
Veja também

Rio Branco registra pior qualidade do ar do Brasil neste sábado
Acre acende alerta no Dia da Amazônia com aumento de queimadas e desmatamento
A pressão também chega ao setor elétrico. O aumento da procura por eletricidade durante períodos de calor extremo ocorre ao mesmo tempo em que a Índia precisa ampliar sua capacidade de transmissão e armazenamento de energia. Mesmo com forte expansão da geração solar, limitações na rede fazem com que parte da eletricidade produzida não consiga chegar aos consumidores.
O desafio climático ainda se mistura a problemas relacionados à água e à produção de alimentos. Em 2026, a Índia registrou períodos de chuvas abaixo da média, aumentando as preocupações com culturas como algodão, soja, milho e arroz. A combinação de calor intenso, mudanças no regime de chuvas e um El Niño em fortalecimento aumenta a pressão sobre agricultores e sobre a segurança alimentar do país.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/B/7/mJdumjSHOrAt1RbmfObg/img-20260820-163532.jpg)
Diante desse cenário, a adaptação passou a ganhar espaço nas políticas públicas. Especialistas defendem investimentos em cidades mais verdes, sistemas de alerta antecipado, edificações capazes de suportar temperaturas maiores, acesso a água e soluções de resfriamento para trabalhadores e populações vulneráveis.
A necessidade de adaptação também é considerada urgente porque o aumento das temperaturas não está ocorrendo apenas durante o dia. As noites estão ficando mais quentes, dificultando a recuperação do corpo depois de períodos de exposição ao calor. Estudos apontam que a frequência e a duração das ondas de calor na Índia vêm aumentando ao longo das últimas décadas.
Outro desafio é garantir que as medidas de proteção cheguem às pessoas mais pobres. O acesso ao ar-condicionado ainda é limitado justamente nas regiões onde o calor pode representar maior risco à saúde. Ao mesmo tempo, a expansão do resfriamento aumenta a demanda por energia, criando a necessidade de combinar proteção da população com fontes de eletricidade mais limpas e sistemas mais eficientes.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/2/Y/utighsR56wuRXZgPdgdw/img-20260821-185339.jpg)
Fotos: Filipe Barini
A Índia também tenta conciliar adaptação e redução das emissões. O país continua ampliando sua capacidade de energia renovável, mas ainda depende fortemente de usinas a carvão para atender à demanda. O crescimento do consumo provocado pelo calor pode dificultar essa transição caso a infraestrutura elétrica não acompanhe a expansão das fontes limpas.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O cenário coloca a Índia diante de uma corrida contra o tempo. Enquanto as temperaturas continuam subindo e os eventos extremos se tornam mais frequentes, o país precisa preparar cidades e serviços essenciais para um clima mais hostil, sem deixar de enfrentar as causas do aquecimento global. Para milhões de pessoas, a adaptação ao calor extremo já deixou de ser uma preocupação do futuro e passou a fazer parte da vida cotidiana.