O Observatório Rubin usa um sensor de 3,2 bilhões de pixels para criar um registro contínuo do céu
Uma câmera de aproximadamente três toneladas e com dimensões semelhantes às de um carro compacto começou a operar no topo do Cerro Pachón, no Chile, com a missão de registrar imagens detalhadas do céu do hemisfério sul. O equipamento faz uma nova fotografia a cada 40 segundos durante as noites de observação, podendo produzir cerca de mil imagens em uma única noite.
A câmera faz parte do Observatório Vera C. Rubin e integra o projeto Legacy Survey of Space and Time (LSST), um levantamento que pretende acompanhar as transformações do Universo durante uma década. A proposta é identificar fenômenos que mudam com o tempo, como explosões de supernovas, asteroides em movimento e estrelas que variam de brilho.
A LSST Camera possui 3.200 megapixels distribuídos em 189 sensores. Os dispositivos funcionam a temperaturas próximas de -100°C para reduzir o ruído térmico nas imagens. O equipamento foi construído no SLAC National Accelerator Laboratory, na Califórnia, e instalado no telescópio Simonyi Survey Telescope, no Chile.
Veja também

Apple Intelligence: veja cinco funções do iPhone que serão automatizadas
Apple faz cortes nas equipes da assistente Siri, do Vision Pro e de jogos
Apesar de o início oficial do levantamento de dez anos ter ocorrido em junho de 2026, o observatório já havia começado a enviar alertas científicos meses antes. Em fevereiro, foram distribuídas aproximadamente 800 mil notificações para pesquisadores, incluindo registros de supernovas, estrelas variáveis e objetos em movimento no Sistema Solar.
O sistema poderá chegar a cerca de sete milhões de alertas por noite. Isso não significa, porém, que serão sete milhões de novas descobertas. Os alertas indicam mudanças detectadas entre diferentes imagens e podem estar relacionados a objetos conhecidos, variações comuns ou até falhas de observação.
Para lidar com esse enorme volume de informações, os dados são encaminhados a sistemas especializados conhecidos como corretores de alertas. Eles ajudam pesquisadores a identificar fenômenos específicos, como possíveis supernovas, asteroides ou estrelas com comportamentos incomuns.
Durante cerca de seis semanas de observações de otimização, o observatório já registrou mais de 11 mil asteroides que não haviam sido identificados anteriormente, incluindo 33 objetos próximos da Terra e 380 objetos transnetunianos.

Foto: RubinObs/NSF/DOE/NOIRLab/SLAC/AURA/T. Lange
O projeto também foi desenvolvido para investigar quatro grandes áreas da astronomia: o Sistema Solar, a Via Láctea, o céu em transformação e a natureza da matéria escura e da energia escura.
Outro desafio é o enorme volume de dados produzido pelo equipamento. O Rubin deve gerar cerca de 10 terabytes de informações por noite. Os arquivos são enviados do Chile para centros de processamento, onde passam por calibração, análise e comparação com imagens anteriores.
A expectativa é que os dados ajudem os cientistas a acompanhar o Universo em diferentes escalas de tempo. Enquanto alguns fenômenos podem acontecer em questão de minutos ou dias, outros só serão percebidos após meses ou anos de observações.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Mais do que produzir fotografias impressionantes, o principal diferencial do projeto está na repetição. Ao registrar o mesmo céu centenas de vezes ao longo de uma década, o Observatório Vera C. Rubin poderá identificar mudanças sutis e fenômenos que poderiam passar despercebidos em uma única observação.