O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do ministro da Educação, Camilo Santana, em Brasília -
O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), tem intensificado articulações políticas para fortalecer a candidatura à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), diante do avanço de Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto. O movimento vai além do apoio a um aliado: Camilo também busca diminuir as chances de ser convocado pelo presidente Lula (PT) para entrar na disputa pelo governo estadual.
Eleito no primeiro turno em 2022, Elmano aparece atrás de Ciro em levantamentos recentes. Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada no mês passado mostra o ex-ministro com 44% das intenções de voto, contra 34% do atual governador. Apesar disso, Elmano mantém avaliação positiva: 59% dos entrevistados aprovam sua gestão. A margem de erro é de três pontos percentuais.
O cenário preocupa o Palácio do Planalto. Lula acompanha de perto a disputa no Ceará, considerado estratégico para seu projeto de reeleição nacional. A avaliação interna é de que, caso Elmano não consiga reagir nas pesquisas nos próximos meses, o presidente poderia optar por retirá-lo da corrida e lançar Camilo Santana como candidato ao governo, na tentativa de evitar uma derrota do grupo político no estado.
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Camilo afirmou a jornalistas, na última segunda-feira (19), que pode deixar o Ministério da Educação nos primeiros meses do ano, dentro do prazo legal para desincompatibilização eleitoral. Ele, no entanto, negou que o movimento tenha como objetivo uma candidatura própria. “Quero dizer claramente que o meu candidato será Elmano de Freitas, para ser reeleito governador do estado do Ceará, e presidente Lula para ser reeleito”, declarou.
Apesar da declaração pública, aliados pressionam o ministro há meses para que ele se coloque como opção eleitoral. Os sinais de possível saída do governo federal se intensificaram a partir de novembro, quando Ciro Gomes oficializou sua filiação ao PSDB com o objetivo de disputar o Palácio da Abolição. Ainda assim, Camilo tem dito a interlocutores que não deseja voltar a concorrer ao governo estadual, posição que só mudaria mediante uma ordem direta de Lula.
No entorno do presidente e do ministro, a leitura é de que Camilo é um dos auxiliares mais bem avaliados do governo federal e visto como possível herdeiro político de Lula no médio prazo. Por isso, sua saída antecipada do ministério é tratada com cautela.
Aliados de Lula no Ceará atribuem o desempenho de Ciro nas pesquisas a uma estratégia do governador focada no eleitorado petista e a umarelação considerada distante com prefeitos do interior. Pessoas próximas a Elmano, por sua vez, rebatem e afirmam que o diálogo com os municípios é consistente.
Uma eventual troca de candidato dentro do PT, no entanto, poderia gerar desgaste interno. Elmano conta com o apoio das principais lideranças locais do partido, e é incomum que um governador em primeiro mandato seja impedido de disputar a reeleição por sua própria legenda.
O senador Cid Gomes (PSB-CE), aliado do governo estadual e irmão de Ciro, classificou como exagerada a pressão sobre Elmano. Para ele, o desempenho do ex-ministro nas pesquisas se deve ao fato de ser, neste momento, um nome de consenso entre os opositores. Segundo Cid, o cenário tende a mudar com a entrada de outros candidatos de direita, que devem fragmentar esse eleitorado.
Cid também avaliou que uma eventual saída de Camilo Santana do Ministério da Educação poderia prejudicar o governador. “Se ele sair, isso é terrível para o Elmano. O Camilo, como foi um excelente governador, saiu muito bem avaliado. Ele deixa de ser uma sombra e passa a ser um fantasma”, afirmou.
Mesmo fora do governo estadual, Camilo segue como principal articulador político do grupo no Ceará. Nos últimos meses, ao menos dois partidos o procuraram para discutir vagas ao Senado na chapa governista. A aliança, porém, já está praticamente fechada com MDB e PSB, com os nomes de Eunício Oliveira e Júnior Mano como favoritos.
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Lula monitora atentamente o cenário cearense não apenas pela sucessão estadual, mas também por seu próprio desempenho eleitoral. Em 2022, o presidente obteve cerca de 70% dos votos no segundo turno no estado e considera essencial manter um palanque forte para reduzir riscos na disputa pela reeleição nacional.