Estratégia de Flávio de ampliar ataques a Corte é vista pelo PT como incapaz de ampliar o eleitorado do presidenciável do PL
A pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai evitar o embate com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador ao pai, Jair Bolsonaro. O objetivo de aliados do petista é reforçar o elo do adversário com o caso Master para conter os efeitos do discurso de “perseguição” que Flávio passou a usar.
A Polícia Federal investiga se o dinheiro que o senador pediu a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse foi usado para custear a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos — e é nessa linha que a campanha petista manterá os ataques ao senador. A intensidade das investidas contra Flavio vai crescer nas próximas semanas, especialmente após o registro da candidatura, cujo prazo termina em 15 de agosto.
Nos bastidores, o núcleo da campanha admite que a decisão de Moraes reforça discurso de vitimização de Flávio e o enxergam esticando a corda com a Corte para se apoiar no discurso anti-STF e ampliar o tom de provocação. Um eventual retorno de Bolsonaro para a Papudinha é visto como uma como uma decisão que prejudicaria Lula eleitoralmente, enquanto o impedimento de visitas entre o senador com o pai é considerado de efeito inócuo para o petista.
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Já a estratégia de Flávio de ampliar ataques ao STF é vista como incapaz de ampliar o eleitorado do presidenciável do PL, pois conversa apenas com a extrema-direita e não tem a mesma adesão entre eleitores de centro e indecisos. Um interlocutor de Lula lembra que se esse método fosse eficaz junto a grandes fatias do eleitorado, Bolsonaro teria vencido em 2022, e Flávio estaria à frente nas pesquisas nesse momento.
Para a campanha, é incomparável a situação de Jair Bolsonaro com a vivida por Lula quando em 2018, enquanto estava preso na Polícia Federal em Curitiba, divulgou uma carta anunciando que Fernando Haddad seria candidato à Presidência em seu lugar. Aliados que acompanharam Lula à época afirmam que o presidente cumpriu todas as restrições impostas pela Justiça e estava em regime fechado, enquanto Bolsonaro segue com o benefício da prisão domiciliar mediante restrições como o uso de redes sociais, ainda que indiretamente.
DECISÃO DE MORAES
Nesta segunda-feira, Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias o direito de visita de Flávio Bolsonaro ao pai e determinou o envio do caso ao procurador-geral eleitoral para avaliar eventual propaganda antecipada, após a divulgação de uma carta em que Jair Bolsonaro pede apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
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Para o ministro, Flávio usou a visita ao pai para obter um documento que tinha como finalidade exclusiva ser divulgado nas redes sociais, burlando a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente. A medida cautelar integra as condições da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro em março e mantida no início deste mês.