Mark Carney cobra postura mais séria de Washington enquanto Canadá e Estados Unidos ampliam a disputa tarifária.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, elevou o tom contra o governo de Donald Trump nesta segunda-feira (1º/9) ao cobrar uma postura mais séria dos Estados Unidos diante do agravamento da disputa comercial entre os dois países.
Carney criticou a maneira como autoridades americanas vêm conduzindo as tratativas e afirmou que Washington deveria deixar de lado provocações e adotar uma postura mais responsável nas negociações.
"Quando os americanos pararem de fazer memes, de criticar os outros, de tentar bancar os durões e começarem a levar essas discussões a sério, aí sim poderemos ter essas discussões", declarou o primeiro-ministro canadense.
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A declaração ocorre pouco mais de uma semana depois de as negociações comerciais entre os dois países fracassarem. Desde então, os Estados Unidos passaram a cobrar tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses.
Em resposta, o governo canadense anunciou medidas semelhantes sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em mercadorias importadas dos Estados Unidos. As tarifas retaliatórias estão previstas para começar a valer em 8 de setembro.
EUA DIZEM NÃO HAVER NEGOCIAÇÕES EM ANDAMENTO
O principal negociador comercial do governo Trump, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que atualmente não existem negociações em andamento com o Canadá.
Em entrevista ao Politico, Greer também questionou o interesse do governo canadense em buscar um novo acordo e avaliou que Ottawa estaria mais vulnerável aos efeitos de uma guerra comercial do que Washington.
O representante americano atribuiu parte do impasse às exigências apresentadas pelo Canadá durante as negociações e afirmou que houve divergências sobre o próprio objetivo das conversas. Segundo ele, não estava claro se o conflito tinha origem principalmente em questões políticas ou econômicas.
A nova rodada de tarifas aprofunda uma crise que vem afetando a relação entre os dois países. Canadá e Estados Unidos possuem forte integração econômica, com o país vizinho entre os principais parceiros comerciais dos americanos.
Carney também já havia criticado comentários feitos por negociadores dos EUA sobre a identidade linguística canadense. Segundo ele, representantes americanos teriam tratado o uso do francês como um obstáculo nas negociações. O primeiro-ministro rebateu a avaliação e afirmou que o idioma é um direito garantido em Quebec.
As tensões também aumentaram após declarações de Trump sobre uma possível integração do Canadá aos Estados Unidos. O presidente americano ainda acusou o país vizinho de aplicar tarifas elevadas sobre produtos agrícolas americanos.
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Na semana passada, a crise ganhou um novo episódio simbólico após Trump assinar uma ordem executiva determinando que o governo dos EUA passasse a utilizar o nome "Lago América" para se referir ao Lago Ontário.