A história e trágico fim do cão comunitário Orelha virlizou nas redes sociais e comoveu pessoas no Brasil inteiro
Para alguns, pode parecer exagero. Porém, as pessoas de fato sentem grande empatia por cães – mais até do que por outro ser humano. As recentes ondas de protestos contra a morte cruel do cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, Santa Catarina levantaram o debate sobre o luto coletivo, sobretudo em casos envolvendo animais.
O caso gerou mobilização da comunidade local, que cuidava do cachorro há cerca de 10 anos, de ativistas pela causa animal e de todo o país. Nas plataformas, diversos usuários compartilharam a hashtag #justiçaporOrelha.
Juliana Sato, psicóloga especialista em luto pet, explicou ao Metrópoles que quando a violência atravessa um vínculo tão cotidiano, ela desorganiza um território afetivo inteiro.
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A profissional destaca que quando um animal como o cachorro Orelha faz parte da rotina de um lugar, ele deixa de ser um detalhe e vira presença. “O vínculo não nasce da posse, nasce da convivência. Aos poucos, se torna parte da paisagem emocional do bairro, uma referência silenciosa de familiaridade e pertencimento.”
Por conta disso, ao ocorrer um caso de violência tão brutal, a perda não se restringe apenas a uma casa ou família, e o sentimento se estende até para quem não conhecia o pet. “O que aparece não é apenas tristeza, mas também raiva, impotência e uma sensação difícil de nomear.”

“Reconhecemos isso como luto coletivo. Pessoas que não eram tutoras formais também sofrem, porque havia relação, e vínculo não precisa de documento para existir”, explica.
A expert também detalha que a violência contra animais também é uma pauta de saúde mental pública, já que trata de empatia, limites, convivência e o tipo de comunidade que está sendo construída.

Não à toa, casos de ações de maus-tratos indicam um sinal de risco psicossocial. “Frequentemente coexistem com violência familiar e social. Não é um evento isolado, é um sintoma de que algo no entorno já está fragilizado.”

Fotos: Reprodução
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Para Juliana, a violência, como no caso de Orelha e outros animais que já viralizaram com histórias cruéis, revelam como a comoção também vem de um lugar de questionamento sobre como as relações humanas estão sendo cuidadas.