Tanto o excesso quanto a restrição podem prejudicar o organismo — o segredo está na qualidade e na quantidade.
Os carboidratos, essenciais para o funcionamento do organismo, continuam cercados de controvérsias, especialmente quando o assunto é saúde cardiovascular. No entanto, um novo estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition reforça que o consumo equilibrado desse nutriente não aumenta o risco de doenças do coração.
A pesquisa, uma meta-análise conduzida por cientistas da Texas A&M University, reuniu dados de 174 estudos com mais de 11 mil participantes. Os resultados indicam que dietas com fontes adequadas de carboidratos, consumidas em quantidades moderadas, podem contribuir para a redução da pressão arterial e dos níveis de triglicérides.
Por outro lado, regimes alimentares com baixa ingestão de carboidratos e maior consumo de gorduras, como a dieta cetogênica, foram associados ao aumento do colesterol LDL, conhecido como “ruim”. Níveis elevados desse tipo de colesterol estão ligados ao desenvolvimento da aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
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Especialistas destacam que o problema não está no carboidrato em si, mas no desequilíbrio. O consumo excessivo de versões refinadas como pães, bolos, massas e biscoitos feitos com farinha branca favorece picos de glicose e insulina no sangue. Com o tempo, isso pode levar à resistência à insulina, acúmulo de gordura abdominal e alterações no perfil lipídico, aumentando o risco cardiovascular.
Por outro lado, eliminar completamente os carboidratos também pode trazer prejuízos. Eles são a principal fonte de energia do corpo e fundamentais para o funcionamento do sistema nervoso central, além de influenciarem o humor e ajudarem na preservação da massa muscular.
Segundo o estudo, uma ingestão considerada moderada varia entre 26% e 45% das calorias diárias, o que equivale, em média, a 130 a 230 gramas por dia. Ainda assim, especialistas alertam que essa quantidade deve ser individualizada, levando em conta fatores como idade, nível de atividade física, estado de saúde e objetivos pessoais.
A qualidade das fontes alimentares também faz diferença. Opções como cereais integrais (aveia, arroz e trigo), leguminosas (feijão, lentilha e grão-de-bico), além de tubérculos, frutas e raízes, são mais recomendadas por oferecerem fibras, vitaminas e minerais.
Combinar carboidratos com proteínas e gorduras saudáveis como ovos, carnes, azeite, castanhas e sementes ajuda a desacelerar a absorção da glicose, promovendo maior saciedade e controle dos níveis de açúcar no sangue.
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No fim, o consenso entre especialistas é claro: mais importante do que cortar ou exagerar é buscar equilíbrio, sempre com orientação profissional adequada às necessidades de cada pessoa.