Aumento das interações no período festivo exige atenção redobrada à testagem, vacinação e uso de métodos preventivos
Com a chegada do Carnaval, período marcado por festas e grandes aglomerações em todo o país, especialistas em saúde alertam para a importância da prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). O aumento das interações afetivas e sexuais durante as celebrações amplia a exposição a situações de risco, tornando essencial o cuidado com a saúde sexual.
Segundo o infectologista Marcelo Cordeiro, consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde, a abordagem mais eficaz atualmente é a chamada prevenção combinada. A estratégia reúne diferentes métodos que podem ser adaptados à realidade de cada pessoa.
“Hoje não falamos mais em um único recurso. A prevenção moderna funciona como um conjunto de opções que inclui preservativo, profilaxias medicamentosas, vacinação e testagem regular”, explica o médico.
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PREP E PEP: CAMADAS EXTRAS DE PROTEÇÃO
Entre os avanços no enfrentamento do HIV estão as profilaxias medicamentosas:
PrEP (Profilaxia Pré-Exposição): indicada para pessoas com maior risco de exposição ao HIV. O medicamento é utilizado antes da relação sexual, mantendo o organismo preparado para eventual contato com o vírus.
PEP (Profilaxia Pós-Exposição): medida de emergência que deve ser iniciada em até 72 horas após uma situação de risco, como rompimento do preservativo ou relação desprotegida. O tratamento dura 28 dias e requer acompanhamento médico.
O especialista destaca que o uso de preservativos continua fundamental para prevenir a maioria das ISTs transmitidas por fluidos corporais, como sífilis e gonorreia. No caso do HIV, a PrEP e a PEP ampliam a proteção e funcionam como reforço adicional.
INFECÇÕES SILENCIOSAS PREOCUPAM
Dados recentes do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids de 2025 indicam estabilidade nas detecções de HIV, reflexo da ampliação do acesso ao diagnóstico. Já o Boletim de Sífilis 2025 aponta redução nos casos, embora os números ainda sejam expressivos: em 2024, foram registrados mais de 256 mil casos de sífilis adquirida no Brasil.
O médico alerta que muitas ISTs evoluem de forma silenciosa, sem sintomas aparentes. Entre as infecções que podem permanecer assintomáticas estão sífilis, HPV, clamídia e hepatites virais. “A pessoa pode não perceber que está infectada e continuar transmitindo”, ressalta.
CHECK-UP E RESPONSABILIDADE COLETIVA
Além do uso de métodos preventivos, especialistas reforçam a importância do acompanhamento regular da saúde sexual:
Testagem periódica: possibilita diagnóstico precoce e interrompe a cadeia de transmissão.
Vacinação: essencial contra HPV e hepatite B.
Responsabilidade compartilhada: realizar exames é uma forma de cuidado individual e coletivo.
Para os profissionais de saúde, aproveitar o Carnaval com segurança também significa adotar práticas de prevenção. A combinação de informação, proteção e acompanhamento médico permite reduzir riscos e garantir que a festa termine apenas com boas lembranças.