A preocupação crescente com a violência nas grandes cidades criou uma precaução adicional para o carnaval: a contratação do serviço de segurança privada por foliões dos blocos ou que vão assistir aos desfiles das escolas. Com orçamentos de até R$ 25 mil por 15 dias de atendimento, empresas do setor revelam o crescimento da procura neste ano. Tanto de clientes brasileiros quanto de estrangeiros.
Em fevereiro, a empresa Macor Segurança e Vigilância registrou um crescimento de 45% na procura pelo serviço para projetos sobre carnaval, em relação ao mesmo mês do ano passado. Gerente de operações do grupo, Marco Bafo credita a maior procura, após uma queda no ano anterior, pela sensação de aumento da criminalidade e de ataques em grandes eventos.
— Observamos um crescimento mais relevante em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os contratos, que começam na primeira quinzena de janeiro, atendem empresários, executivos e famílias brasileiras ou do exterior, como dos Estados Unidos e de países da Europa — explica Bafo.
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O atendimento da Macor começa no aeroporto, quando os clientes são transportados até o hotel em carros blindados. Todas as outras atividades fora do hotel são realizadas juntas à equipe de segurança. O acompanhamento durante um período de 15 dias custa em média R$ 25 mil.
A empresa também oferece pacotes de oito horas, para acompanhamentos em eventos como desfiles de escolas de samba. Nesse caso, o valor varia de R$ 2,5 mil a R$ 4,5 mil, a depender do número de seguranças. Os profissionais, “de porte físico elevado”, como destaca Bafo, andam desarmados em locais de grande concentração de pessoas.
Com clientes de todo o país e também estrangeiros, a Gocil teve um crescimento de 10% na busca por serviço de segurança pessoal este ano em relação a 2024. Somente para o carnaval, foram cerca de 270 contratos firmados, sendo que 200 tinham o Rio como destino. De acordo com o diretor executivo Paulo Goulart, o foco dos foliões são os camarotes na Sapucaí, onde são exigidas autorizações das polícias Federal e do estado para a atuação dos guarda-costas. Os interessados no serviço investem a partir de R$ 3 mil por pessoa.
— Estudamos toda a rotina do cliente e o itinerário que ele deseja. A forma de atuação dos seguranças muda caso o perfil seja de adolescentes ou tenha crianças, por exemplo. O carnaval geralmente tem uma crescente de 30% nas buscas em relação ao restante do ano porque é uma época de grandes eventos, que reúne muitas celebridades e empresários que desejam se sentir mais seguros — explica.
A empresa possui diferentes mecanismos de monitoramento. Um deles inclui uma pulseira de identificação discreta usada pelo cliente. Em locais como a Sapucaí, câmeras de segurança e drones se conectam a equipamentos de Inteligência Artificial para ajudar na segurança. Sincronizados, eles enviam informações à central que, por sua vez, consegue acionar em tempo real forças policiais externas em caso de algum atentado ou roubo.
— É um trabalho complexo porque envolve treinamentos constantes. Os seguranças têm protocolos a seguir e não podem sair atirando. Geralmente ficam à paisana e observam a movimentação.
No Grupo Bronze, que atua na Região Metropolitana de São Paulo, a maior procura é da parte de turistas que não conhecem a cidade e temem a segurança. Os custos vão de R$ 200 a R$ 5 mil a diária, a depender do tipo de carro, armamento e tempo dispostos pelos profissionais. A diretora Débora Barros afirma ainda que a empresa investe na formação de seguranças mulheres, por terem um olhar mais sensível em casos de assédio sexual durante a festa.
— No carnaval a demanda chega a crescer 10% e geralmente surge cerca de um mês e meio antes das festas — afirma. A maior procura de seguranças particulares indica que, mesmo que as autoridades mostrem números de redução de incidentes violentos, no fim do feriado, a sensação de insegurança anda ao lado do desejo de festejar durante o carnaval. Embora no ano passado as secretarias de segurança tenham divulgado recuos do número de crimes como homicídios e furtos, incidentes de grande repercussão e as ocorrências registradas mantêm a preocupação.
Em Salvador, o carnaval de 2024 terminou sem mortes violentas, e com 34 foragidos da Justiça, por crimes como tráfico e homicídio, capturados com o auxílio do sistema de reconhecimento facial da Secretaria da Segurança Pública. Mas foram registrados sete casos de racismo, 23 de violência contra a mulher, dois estupros, cinco de importunação sexual e um de LGBTQIAPN+fobia. Além disso, os músicos Mauro Jr. e Rogerinho, do grupo Revelação, foram roubados na madrugada de 11 de fevereiro, após o desfile da banda no circuito Osmar, em Campo Grande.
Em São Paulo, a polícia infiltrou agentes entre os foliões e controlou os eventos a partir de um gabinete especial no ano passado. A estratégia levou à prisão de 54 suspeitos na capital paulista e na recuperação de 183 celulares. Mas houve ao menos 300 ocorrências entre 10 e 13 de fevereiro e o estado teve o maior número de denúncias de violência contra crianças e adolescentes durante o feriado. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foram 1.596 denúncias pelo Disque 100.
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O governo do Rio também comemorou uma redução de 20% na festa do ano passado dos crimes de rua, como furtos e roubos de pedestres. Mas incidentes como o esfaqueamento de duas pessoas em um arrastão fim do bloco Orquestra Voadora no domingo, no Centro do Rio, em que oito suspeitos foram presos, deixaram os foliões apreensivos.
Fonte:O Globo