Contêineres no Porto de Águas Profundas de Yangshan, em Xangai
Um relatório divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Escritório de Política Comercial e Industrial da Casa Branca colocou o Brasil entre os países considerados de alto risco para operações de triangulação comercial envolvendo produtos chineses. A prática, conhecida como transshipment, consiste no redirecionamento de mercadorias por terceiros países para contornar tarifas e restrições impostas pelos Estados Unidos.
O documento, coordenado pelo assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, aponta mais de 40 países com potencial envolvimento nesse tipo de operação. O Brasil aparece na categoria Nível 2, reservada a nações com grande volume de comércio, forte integração econômica e infraestrutura logística capaz de facilitar o redirecionamento de produtos de origem chinesa.
Além do Brasil, a lista inclui países como Turquia, Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã. Segundo o relatório, Brasil e Turquia funcionam como importantes plataformas regionais de produção e logística, capazes de apoiar processos de transformação ou reexportação de determinadas mercadorias.
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No caso dos países asiáticos, o documento destaca a forte integração com cadeias produtivas ligadas à China, especialmente nos setores de eletrônicos, máquinas, plásticos, calçados, vestuário e componentes industriais.
A Casa Branca afirma que a triangulação comercial ilegal permite que produtos chineses continuem acessando o mercado americano sem pagar as tarifas impostas por Washington.
De acordo com estimativas citadas no relatório, elaboradas pela empresa de inteligência em cadeias de suprimentos Exiger, cerca de US$ 75 bilhões em mercadorias teriam sido trianguladas ilegalmente entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. As perdas em arrecadação tarifária para os Estados Unidos seriam estimadas entre US$ 19 bilhões e US$ 34 bilhões.
O relatório reconhece que as tarifas elevadas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump criaram incentivos para que empresas transferissem parte da produção para outros países, estratégia conhecida como “China + 1”.
Para combater possíveis fraudes, os Estados Unidos anunciaram a implementação de um sistema de monitoramento baseado em inteligência artificial, capaz de cruzar informações sobre rotas comerciais, capacidade produtiva, estrutura societária das empresas e imagens de raios X de contêineres.
Segundo Peter Navarro, a iniciativa representa um recado direto aos parceiros comerciais dos EUA.
“Isso é basicamente um aviso ao mundo: não tentem enganar os Estados Unidos”, afirmou o assessor da Casa Branca.
O próprio relatório admite que identificar casos de triangulação ilegal é uma tarefa complexa. Isso porque muitos produtos são fabricados com componentes oriundos de diversos países, dificultando a definição da origem real das mercadorias.
Por isso, as autoridades americanas afirmam que o principal desafio é distinguir operações fraudulentas de mudanças legítimas nas cadeias globais de produção e comércio.
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Até o momento, o governo brasileiro não havia se pronunciado oficialmente sobre as citações feitas no documento da Casa Branca.