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Casal descobre que noite em hotel foi transmitida ao vivo por câmeras escondidas na China
Foto: Reprodução

Investigação revela rede lucrativa que grava hóspedes sem consentimento e vende transmissões pela internet.

O que começou como uma noite comum em um hotel de Shenzhen, no sul da China, transformou-se em um trauma duradouro para um casal que descobriu ter sido filmado secretamente. Eric e sua namorada, Emily nomes fictícios perceberam semanas depois que momentos íntimos do relacionamento haviam sido gravados por uma câmera escondida e divulgados para milhares de pessoas na internet.

 

A descoberta ocorreu quando Eric navegava por um canal que costumava acessar para consumir pornografia. Poucos segundos após iniciar um vídeo, ele percebeu que as imagens mostravam ele e a namorada entrando no quarto do hotel onde haviam se hospedado. O casal, que desconhecia a existência de qualquer câmera, teve sua privacidade exposta em um vídeo assistido por inúmeros usuários.

 

O caso ilustra a dimensão de uma indústria clandestina conhecida como “pornografia de câmera escondida”, que existe na China há mais de uma década, mesmo com a proibição da produção e distribuição de pornografia no país. Nos últimos anos, o tema passou a ganhar destaque nas redes sociais chinesas, com pessoas trocando dicas para identificar dispositivos ocultos em quartos de hotel.

 

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Em abril do ano passado, o governo chinês implementou novas regras obrigando hotéis a realizar inspeções frequentes para detectar câmeras escondidas. Apesar disso, uma investigação do Serviço Mundial da BBC encontrou milhares de vídeos recentes gravados secretamente e vendidos na internet, muitos deles divulgados por meio do Telegram.

 

Durante 18 meses de apuração, a reportagem identificou seis plataformas que alegavam operar mais de 180 câmeras escondidas em quartos de hotel. Esses dispositivos não apenas gravavam, mas também transmitiam ao vivo as atividades dos hóspedes. Em sete meses monitorando um dos sites, jornalistas encontraram conteúdo captado por 54 câmeras diferentes, cerca de metade delas ativas a qualquer momento.

 

As transmissões ao vivo feitas com câmeras escondidas mostram com clareza as camas dos quartos de hotel — Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

 

A investigação revelou ainda que o acesso às transmissões era vendido por assinatura. Um dos agentes mais ativos, conhecido como “AKA”, cobrava cerca de 450 yuans mensais (aproximadamente R$ 330) para liberar o acesso a transmissões em tempo real. Usuários podiam escolher diferentes quartos, retroceder gravações e baixar vídeos arquivados.

 

Bibliotecas com milhares de vídeos também eram vendidas mediante pagamento único. Em um dos acervos, foram encontrados mais de 6 mil registros que remontavam a 2017. Em chats associados às transmissões, assinantes comentavam e avaliavam as vítimas sem qualquer consentimento, reforçando a dimensão do mercado voyeurístico.

 

A equipe da BBC conseguiu rastrear uma das câmeras até um hotel em Zhengzhou. O dispositivo estava escondido na ventilação do quarto e conectado à rede elétrica. Mesmo utilizando um detector comercial de câmeras, os investigadores não receberam qualquer alerta. Após a descoberta, a câmera foi desativada, mas rapidamente substituída por outra em local diferente, segundo mensagens trocadas em canais privados.

 

As conversas entre os envolvidos indicam uma cadeia organizada de fornecimento, com agentes intermediários vendendo o acesso e pessoas responsáveis pela instalação dos equipamentos, chamadas de “donos das câmeras”. Estimativas apontam que apenas um desses agentes arrecadou mais de 163 mil yuans (cerca de R$ 110 mil) em poucos meses valor muito acima da renda média anual no país.

 

Organizações que apoiam vítimas afirmam que a demanda por ajuda cresce constantemente. Segundo a ONG RainLily, sediada em Hong Kong, remover esse tipo de conteúdo é extremamente difícil, especialmente quando plataformas não respondem rapidamente às solicitações.

 

Mesmo após denúncias formais, os sites investigados continuaram transmitindo imagens ao vivo. Para Eric e Emily, o impacto psicológico permanece. O casal evita hotéis e teme ser reconhecido em público. Eric diz que abandonou o consumo desse tipo de conteúdo, mas ainda verifica ocasionalmente os canais por medo de que as imagens voltem a circular.

 

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O caso expõe a vulnerabilidade da privacidade na era digital e revela como uma rede clandestina continua lucrando com a violação da intimidade de pessoas comuns ao redor do mundo. 

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