Companhia apresentou as demonstrações financeiras neste domingo com atraso. A divulgação do balanço estava prevista para até sexta-feira
A Casas Bahia voltou a enfrentar uma forte crise financeira após registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado foi impactado principalmente por efeitos contábeis, mas também expôs as dificuldades enfrentadas pela varejista para recuperar a operação.
Do total perdido, cerca de R$ 9,1 bilhões correspondem a efeitos não recorrentes, que não representam uma saída imediata de dinheiro do caixa. Mesmo desconsiderando esses fatores, porém, o cenário continua preocupante: o prejuízo ajustado chegou a R$ 978 milhões, contra R$ 555 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
A empresa também anunciou medidas para reduzir o tamanho da operação. Entre elas estão o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 2 mil funcionários, além de mudanças na estrutura e revisão de contratos. A receita líquida cresceu 1,6%, chegando perto de R$ 7 bilhões, mas as despesas com vendas aumentaram 17%, alcançando R$ 1,8 bilhão.
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Diante do agravamento da situação, a Casas Bahia avalia a possibilidade de recorrer novamente à recuperação judicial ou extrajudicial para renegociar suas dívidas. A companhia já havia realizado uma recuperação extrajudicial em 2024 e agora acumula oito trimestres consecutivos de prejuízo.
O cenário é agravado pelo custo elevado do crédito e pela pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. A companhia informou ainda que a redução dos limites de crédito concedidos por seguradoras a fornecedores obrigou a varejista a diminuir o volume de compras e operar em uma escala menor.
A crise também aparece no balanço patrimonial: o patrimônio líquido da empresa ficou negativo em R$ 8,1 bilhões, enquanto a dívida líquida chegou a R$ 1,2 bilhão no período. A auditoria contratada pela companhia chegou a se abster de opinar sobre as demonstrações financeiras diante das incertezas relacionadas à continuidade das operações.
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A Casas Bahia, portanto, passa por mais uma fase de reestruturação, com redução de lojas, cortes de pessoal e avaliação de novas medidas para reorganizar as finanças. A possibilidade de uma nova recuperação coloca a tradicional varejista novamente diante de um dos momentos mais delicados de sua história.