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Casas Bahia obtém proteção temporária contra credores enquanto busca reorganizar dívidas
Foto: Divulgação

Justiça de São Paulo impede medidas que poderiam pressionar a varejista e determina perícia para avaliar as condições reais de funcionamento da empresa.

A Casas Bahia recebeu nesta quarta-feira (19) uma proteção temporária contra credores concedida pela Justiça de São Paulo. A medida ocorre enquanto a varejista tenta avançar com o pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.

 

O pedido de recuperação judicial foi apresentado no último domingo, mas ainda não foi oficialmente aceito pela Justiça. A decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo busca evitar que a situação financeira provoque um agravamento da crise e comprometa as operações da empresa.

 

Com a determinação, os mais de 28 mil credores não poderão antecipar o vencimento de contratos apenas em razão do pedido de recuperação judicial. A decisão também estabelece que fornecedores mantenham a entrega de produtos que já estejam a caminho das lojas ou dos centros de distribuição.

 

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A preocupação com o abastecimento é relevante porque grandes fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos aparecem entre os credores da companhia. A lista inclui Samsung, Electrolux, Whirlpool, LG e Motorola.

 

Uma das alternativas avaliadas pela Casas Bahia para manter o funcionamento da operação é a contratação de um financiamento conhecido como DIP, modalidade destinada a empresas em recuperação judicial e utilizada para custear despesas essenciais, como pagamentos a funcionários e fornecedores.

 

Segundo informações divulgadas sobre as negociações, o financiamento em discussão poderia chegar a R$ 1 bilhão. A empresa, porém, afirmou em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que ainda não há definição sobre uma eventual operação, incluindo valor, prazo ou instituição financeira envolvida.

 

A varejista também informou que analisa outras medidas para reforçar o caixa, como renegociação de prazos para pagamento de dívidas, mecanismos de transação tributária e liberação de recursos atualmente depositados em processos judiciais.

 

A Casas Bahia havia solicitado à Justiça a liberação de aproximadamente R$ 750 milhões depositados em ações trabalhistas, mas o pedido foi rejeitado.

 

A decisão desta quarta-feira não estabeleceu um prazo específico para a proteção contra os credores. Entretanto, o período utilizado será descontado dos 180 dias de proteção previstos caso a recuperação judicial seja posteriormente aceita.

 

A magistrada responsável pelo caso também determinou a realização de uma perícia para verificar as condições reais de funcionamento da companhia. A análise deverá avaliar as lojas físicas, centros de distribuição, site e aplicativo, além de possíveis problemas de abastecimento e funcionamento dos sistemas de venda.

 

A empresa ACDB Administração Judicial foi nomeada para realizar o trabalho e deverá entregar o laudo à Justiça em até 30 dias.

 

CRISE FINANCEIRA

 

A Casas Bahia afirma enfrentar a pior crise de sua história. Como parte das medidas adotadas para reduzir custos, a companhia fechou 298 lojas, aproximadamente 30% de sua rede, e demitiu quase 3 mil funcionários, cerca de 10% do quadro de colaboradores.

 

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A empresa afirma que a recuperação judicial é necessária para reorganizar suas finanças, renegociar as dívidas e criar condições para a retomada sustentável das operações. 

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