Sessenta anos após a morte de dois técnicos encontrados com máscaras de chumbo em Niterói, o caso segue sem solução e continua intrigando investigadores, historiadores e ufólogos.
Seis décadas depois de um dos episódios mais enigmáticos da história policial brasileira, o chamado Caso das Máscaras de Chumbo continua cercado de perguntas sem resposta. Em agosto de 1966, os técnicos em eletrônica Miguel José Viana, de 34 anos, e Manuel Pereira da Cruz, de 32, foram encontrados mortos no alto do Morro do Vintém, em Niterói (RJ), em circunstâncias que até hoje alimentam investigações, teorias e relatos de testemunhas.
Os corpos foram localizados lado a lado, sem sinais aparentes de violência. Próximo às vítimas havia máscaras de chumbo, uma garrafa de água e bilhetes com instruções que mencionavam cápsulas, proteção contra metais e a espera por um “sinal marcado”.
Miguel e Manuel deixaram Campos dos Goytacazes no dia 15 de agosto de 1966. À família, disseram que viajariam para São Paulo para comprar um carro e equipamentos eletrônicos, levando uma quantia elevada em dinheiro para a época.
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Antes de subir o Morro do Vintém, passaram pela rodoviária de Niterói, visitaram uma loja de eletrônicos, compraram capas de chuva e pararam em um bar para adquirir uma garrafa de água mineral.
Três dias depois, em 20 de agosto, os corpos foram encontrados em uma área de mata de difícil acesso.
BILHETE INTRIGOU OS INVESTIGADORES
Entre os objetos recolhidos pela polícia estava um bilhete que dizia:
“16h30 estar no local determinado. 18h30 ingerir cápsulas. Após efeito, proteger a metade do rosto com as máscaras de chumbo. Aguardar o sinal marcado.”
A mensagem levantou suspeitas de que os dois estariam participando de algum tipo de experimento ou seguindo orientações recebidas de terceiros.
Outro detalhe que dificultou a investigação foi o estado avançado de decomposição dos corpos. As vísceras recolhidas para exames toxicológicos acabaram se deteriorando antes da análise, impedindo que a perícia confirmasse se eles haviam ingerido alguma substância.
LUZES NO CÉU ALIMENTARAM TEORIAS
O caso ganhou repercussão nacional quando moradores relataram ter visto um objeto luminoso sobre o Morro do Vintém na noite de 17 de agosto.
Uma testemunha, que era criança na época, afirmou décadas depois que ainda se lembra das luzes vistas durante um trajeto de carro com a família. Segundo ela, uma irmã chegou a desenhar o suposto objeto voador, e a ilustração foi publicada em jornais da época.
Os relatos contribuíram para que o episódio se tornasse um dos casos mais conhecidos da ufologia brasileira.
HIPÓTESES NUNCA FORAM COMPROVADAS
Ao longo dos anos, a polícia investigou diferentes possibilidades, incluindo um experimento espiritual malsucedido, suicídio, assassinato seguido de roubo e até a participação de uma terceira pessoa.
Os investigadores também descobriram que Miguel e Manuel tinham interesse por eletrônica, experiências espiritualistas e livros sobre contatos extraterrestres, fator que alimentou ainda mais as especulações.
Em 1980, o pesquisador francês Jacques Vallée visitou o local para analisar o episódio, que já havia se transformado em referência mundial entre estudiosos de fenômenos inexplicáveis.
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Apesar das inúmeras teorias, nenhuma delas foi comprovada. O inquérito acabou arquivado, deixando o Caso das Máscaras de Chumbo como um dos maiores mistérios não solucionados da história criminal brasileira.