Especialistas dizem que não há prova científica ligando medicamentos regulares à síndrome, mas reforçam os riscos de produtos falsificados.
O diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré em uma mulher internada em Belo Horizonte após o uso de uma caneta emagrecedora irregular levantou questionamentos sobre uma possível relação entre o produto e o desenvolvimento da doença neurológica.
A paciente, a auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, está hospitalizada desde dezembro depois de utilizar uma caneta para emagrecimento adquirida de forma ilegal, supostamente trazida do Paraguai. O produto, da marca Lipoless, não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não pode ser comercializado no Brasil.
Segundo familiares, os primeiros sintomas apresentados por Kellen foram dores abdominais e sinais semelhantes aos de uma infecção viral, como congestão nasal. Com o passar dos dias, o quadro evoluiu para complicações neurológicas, incluindo a perda de movimentos nas pernas. Inicialmente, a suspeita era de uma reação ao produto irregular, mas exames posteriores confirmaram o diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré.
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A síndrome é uma doença autoimune rara, caracterizada pelo ataque do sistema imunológico aos nervos periféricos. Os sintomas mais comuns incluem formigamento, fraqueza muscular e, em casos mais graves, paralisia temporária. Embora a maioria dos pacientes se recupere, o processo pode levar semanas ou até meses.
De acordo com especialistas, o Guillain-Barré costuma surgir após infecções virais ou bacterianas. “O sistema imunológico confunde o agente infeccioso com estruturas do nervo e passa a atacá-las, em um fenômeno chamado mimetismo molecular”, explica o neurologista Sérgio Jordy, da Rede D’Or e diretor do Centro Médico Sinapse.
Até o momento, não há evidências científicas que comprovem uma relação direta entre a tirzepatida princípio ativo de medicamentos como o Mounjaro e a síndrome de Guillain-Barré. No entanto, o risco aumenta quando se trata de produtos ilegais ou falsificados, cuja composição é desconhecida.
“Nesses casos, existe a possibilidade de contaminação por substâncias ou agentes infecciosos que podem atuar como gatilho para a síndrome”, alerta Jordy. Uma das hipóteses investigadas no caso de Belo Horizonte é justamente a presença de componentes desconhecidos na caneta irregular utilizada pela paciente.
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Embora ainda não seja possível estabelecer uma relação de causa e efeito, especialistas reforçam que o uso de medicamentos sem procedência representa um risco grave à saúde. A orientação é buscar sempre acompanhamento médico e adquirir produtos apenas por canais autorizados e regulamentados.