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Caso Gritzbach: delator do PCC pagava R$ 34 mil mensais a policiais militares por escolta
Foto: Divulgação; e obtido pelo UOL

O tenente Genauro foi o "maestro" do ataque sofrido pelo delator do PCC

Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, 38, o delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), pagava R$ 34 mil por mês para um grupo de policiais militares cuidar de sua escolta. Mesmo assim, foi traído pelo tenente Fernando Genauro da Silva, responsável pela segurança pessoal dele.

 

A informação consta em um laudo do "perfil vitimológico" de Gritzbach, elaborado pelo Laboratório de Perfilamento Criminológico do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), ao qual a reportagem teve acesso.

 

O documento aponta que o tenente Genauro foi o "maestro" do ataque sofrido pelo delator do PCC no dia 8 de novembro do ano passado, no aeroporto internacional de Guarulhos, onde a vítima foi assassinada a tiros de fuzis e mando da maior organização criminosa do Brasil.

 

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NERD, GÊNIO E AUTODIDATA

 

Segundo o laudo, o delator do PCC tinha "traços narcísicos", quando criança era introvertido e filho de família com poder aquisitivo satisfatório. Era considerado "nerd" até os 18 anos, fã de jogos eletrônicos, gênio e autodidata em investimentos e por isso não tinha motivo para se envolver com o crime.

 

O documento afirma ainda que Gritzbach era manipulador, controlador, tinha confiança na escolta, pagava R$ 34 mil mensais aos PMs, acreditava que estava blindado e morreu por se envolver em meio criminoso do alto escalão PCC e por achar que tinha todas as pessoas sob seu controle.

 

PMS VÃO A JÚRI

 

Além de Genauro, o DHPP indiciou por homicídio e organização criminosa o soldado Ruan Silva Rodrigues, 32 e o cabo Dênis Antônio Martins, 40, apontados como autores dos disparos contra Gritzbach. Os três são acusados de participação direta no crime, foram presos, denunciados à Justiça e vão a júri.

 

O narcotraficante Emílio Carlos Gongorra Castilho, 44, o Cigarreiro, influente no PCC e no CV (Comando Vermelho) do Rio de Janeiro, foi indicado como mandante do crime, assim como o comparsa Diego dos Santos Amaral, 33, o Didi. Ambos estão foragidos.

 

O DHPP também procura Kauê do Amaral Coelho, 29, primo de Didi. As investigações indicam que ele era o olheiro que estava no aeroporto e avisou aos assassinos o exato momento em que Gritzbach deixava o saguão do Terminal 2, após desembarcar de um voo procedente de Maceió (AL).

 

Desviou R$ 100 milhões. Em São Paulo, Cigarreiro foi apresentado ao PCC pelo narcotraficante Antônio Bechelli Santa Fausta, 38, o Cara Preta, homem forte na organização criminosa paulista e morto a tiros em 27 de dezembro de 2021 no Tatuapé, zona leste paulistana.

 

Para a Polícia Civil, Gritzbach foi assassinado porque desviou R$ 100 milhões em criptomoedas de Cara Preta e ordenou a morte dele, sumiu com outros R$ 4 milhões de Cigarreiro, e ainda delatou integrantes do PCC para o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo).

 

Ele também delatou ao MP-SP um advogado e dois empresários acusados de ligação com o PCC, além de oito policiais civis envolvidos , segundo ele, em casos de corrupção. Todos foram presos.

 

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A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Gritzbach nem com os indiciados por envolvimento no crime. O espaço continua aberto para manifestações dos defensores de todos eles.

 

Fonte: UOL
 

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