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Caso Master expõe rachas no Congresso e embaralha estratégias da esquerda à direita
Foto: Investigação da PF atinge políticos de vários partidos, gera disputas internas e levanta temor de um escândalo com efeito semelhante ao da Lava Jato.

A revelação do caso Master sacudiu o cenário político em Brasília e provocou fissuras tanto entre aliados do governo quanto na oposição, às vésperas da retomada dos trabalhos do Congresso Nacional. À esquerda e à direita, há desacordo sobre como reagir ao avanço das investigações que já alcançam políticos influentes e autoridades de diferentes Poderes.

 

Documentos reunidos pela Polícia Federal na primeira etapa da Operação Compliance Zero, que teve como principal alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, citam lideranças partidárias e figuras de alto escalão, segundo reportagens da Folha. O alcance do material ampliou a tensão e reforçou a percepção de que se trata de um caso suprapartidário.

 

No Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido publicamente o prosseguimento das apurações, respaldado por pesquisas que indicariam apoio popular à linha de enfrentamento à corrupção. Internamente, porém, aliados alertam para possíveis impactos na base governista e para o risco de atritos institucionais, especialmente com o Supremo Tribunal Federal (STF).

 

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Integrantes do governo avaliam que o caso pode atingir nomes próximos ao Planalto, mas que o desgaste maior recairia sobre líderes do centrão e da oposição. Ainda assim, o tema tem provocado ruídos. Enquanto o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), se posicionou contra a criação de uma CPI, a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que essa não é uma decisão fechada do Executivo. Já o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ), declarou apoio à comissão.

 

Do lado oposicionista, a situação também é delicada. A proximidade de Vorcaro com dirigentes do centrão tem freado ataques mais duros ao governo. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), apontado como um dos políticos mais próximos do banqueiro, reduziu sua exposição pública desde o início da crise.

 

Há ainda o temor, compartilhado por políticos dentro e fora do governo, de que o caso Master ganhe proporções semelhantes ou até superiores às da Lava Jato. Investigações anteriores já apontavam possíveis conexões do esquema com contratos públicos e relações políticas na Bahia, envolvendo antigos aliados do PT no estado.

 

A tensão aumentou após a divulgação de encontros entre Lula e Vorcaro, além da participação de autoridades do Banco Central e de ex-ministros em reuniões relacionadas ao banco. Também gerou desgaste a informação de que o Master contratou um escritório de advocacia ligado à família de um ex-ministro da Justiça.

 

Com o avanço das apurações, Vorcaro passou de figura influente a personagem evitado nos círculos políticos. Segundo relatos, o ex-banqueiro tem se queixado do abandono por antigos aliados, enquanto o mundo político tenta se afastar de um escândalo que segue em expansão.

 

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Apesar do clima de instabilidade, a expectativa em Brasília é de que os trechos da investigação que envolvem políticos sejam concentrados no STF, o que pode reduzir disputas institucionais e conter, ao menos temporariamente, a escalada da crise. 

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