Especialista alerta que 95% das infecções ocorreram entre indivíduos não vacinados ou com o esquema incompleto
Até a última terça-feira, os Estados Unidos registraram 2.295 casos de sarampo, mostram dados do U.S. Measles Tracker, monitoramento da Universidade John Hopkins. O número leva 2026 a ultrapassar, em pouco mais de seis meses, as 2.289 infecções notificadas em todo o ano de 2025. Além disso, faz com que o ano atual bata o recorde de mais infecções em 35 anos com o maior número de casos desde 1991.
O cenário tem preocupado as autoridades de saúde. Especialistas afirmam que o país deve perder o certificado de eliminação do sarampo, obtido em 2000 após os EUA não registrarem surtos ativos do vírus por mais de 12 meses. A Região das Américas, que tinha sido a primeira a obter o status no mundo, perdeu o certificado no ano passado, quando o Canadá voltou a registrar transmissão endêmica do patógeno. Agora, EUA e México também serão reavaliados.
O Brasil, por sua vez, mantém o certificado de eliminação do sarampo, que chegou a ser perdido em 2019 após uma queda importante na cobertura vacinal e a identificação de diversos surtos da doença. Em 2024, depois de dois anos sem transmissão local, o país recuperou o status de livre da doença. Os poucos casos que o Brasil ainda registra são majoritariamente importados de outros países e não têm levado a uma disseminação sustentada dentro do território brasileiro.
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Segundo Moss, foi a alta cobertura vacinal que proporcionou a eliminação do sarampo dos países, e é justamente a sua queda que tem levado à reintrodução do vírus pelo continente:
“A alta cobertura vacinal protegeu até mesmo aqueles que não foram vacinados ou que receberam vacinação incompleta devido à proteção coletiva, mantendo o sarampo sob controle nas últimas décadas. Mas, em comunidades com bolsões de indivíduos suscetíveis em uma ampla faixa etária, o sarampo conseguiu se estabelecer, infectando aqueles que são suscetíveis e se espalhando rapidamente”.Praticamente todos os casos confirmados de sarampo nos EUA desde o início de 2025 (95%) ocorreram entre pessoas não vacinadas ou com imunização incompleta. Moss lembra que as vacinas “são extremamente seguras e eficazes” e “a melhor maneira de se proteger contra a doença.”
Em janeiro, a Global Virus Network (GVN) já havia emitido um alerta sobre uma “profunda preocupação em relação ao ressurgimento contínuo do sarampo nos Estados Unidos e em todo o mundo”. A GVN é uma rede global de virologistas de mais de 90 centros, presentes em mais de 40 países, que se dedica ao avanço de pesquisas e preparação para pandemias.
O sarampo é uma das doenças virais mais contagiosas do mundo e pode ser letal, especialmente entre crianças não vacinadas. No entanto, ele pode ser evitado com a tríplice viral, que previne ainda rubéola e caxumba. No Brasil, a primeira dose é orientada aos 12 meses, e a segunda aos 15. O país oferece ainda a proteção de forma gratuita para pessoas mais velhas que não tenham sido vacinadas na infância.
Apesar da alta eficácia e segurança, a cobertura com a dose tem caído em diversas partes do mundo. No Brasil, entrou em queda a partir de 2015 e, embora tenha melhorado desde 2022, o percentual de crianças protegidas com as duas continuou abaixo da meta de 95%, segundo dados do Ministério da Saúde.
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“Independentemente do que for determinado sobre o status de eliminação do sarampo no país, a realidade é que os Estados Unidos têm mais casos de sarampo neste ano do que tiveram em décadas. Devemos nos concentrar em melhorar o acesso à vacina contra o sarampo e aumentar a cobertura vacinal para interromper a disseminação da doença”, afirma o diretor-executivo do Centro Internacional de Acesso a Vacinas da John Hopkins, William Moss, em comunicado.
Fonte: O Globo