Estado registra maior número da série histórica em 2025, com aumento expressivo também entre gestantes e casos congênitos
O Amazonas registrou um crescimento significativo nos casos de sífilis adquirida em 2025, alcançando o maior volume da série histórica, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Ao todo, foram contabilizados 3.878 casos, número superior aos 3.379 registrados em 2024 e bem acima dos índices observados nos anos anteriores.
Na comparação entre 2024 e 2025, o aumento foi de 499 casos, o que representa um crescimento de 14,8%. Com isso, a taxa de incidência subiu de 81,2 para 93,2 casos por 100 mil habitantes. A maior parte das notificações ocorreu entre homens adultos jovens, especialmente na faixa etária de 20 a 39 anos.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, geralmente transmitida por meio de relações sexuais sem o uso de preservativo. Segundo a FVS, o avanço dos casos está relacionado, em parte, à ampliação do acesso ao diagnóstico, com a descentralização das ações de vigilância e a maior oferta de testes rápidos nas Unidades Básicas de Saúde.
Além disso, a Fundação aponta a redução no uso de preservativos, sobretudo em relações ocasionais, como um dos fatores que favorecem a transmissão contínua da doença.
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Diante do cenário, a FVS informou que vem intensificando ações estratégicas, como a distribuição de preservativos, ampliação da testagem rápida e capacitação de profissionais da Atenção Primária à Saúde, com foco no diagnóstico precoce, tratamento imediato e interrupção da cadeia de transmissão. A execução direta dessas ações ocorre no âmbito municipal, por meio das secretarias de saúde.
AUMENTO ENTRE GESTANTES PREOCUPA AUTORIDADES
Os registros de sífilis em gestantes também apresentaram crescimento expressivo. Em 2025, foram notificados 2.460 casos, o maior número da série analisada. Em relação a 2024, quando foram registrados 1.954 casos, o aumento foi de 25,9%, com a taxa de incidência passando de 15,18 para 17,90 casos por mil nascidos vivos.
De acordo com a FVS, um dos principais desafios é a baixa adesão dos parceiros sexuais ao tratamento, o que favorece a reinfecção das gestantes, mesmo quando o pré-natal é iniciado adequadamente. Também contribuem para o problema o tratamento incompleto, o uso inadequado da penicilina e o diagnóstico tardio, muitas vezes realizado apenas no parto ou no pós-parto.
SÍFILIS CONGÊNITA SEGUE ACIMA DO RECOMENDADO
Em relação à sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê, o estado registrou 513 casos em 2025, aumento de 13% em comparação a 2024. A taxa de incidência chegou a 6,84 casos por mil nascidos vivos, permanecendo acima do parâmetro recomendado para a eliminação da doença.
A sífilis congênita pode provocar abortos espontâneos, partos prematuros, malformações, cegueira, surdez, deficiências neurológicas e até a morte do recém-nascido, reforçando a importância do acompanhamento pré-natal adequado.

A identificação é importante para evitar Sífilis congênita
em grávidas (Foto: Divulgação/Semsa)
PERFIL DOS CASOS
Em 2025, a maior concentração de casos ocorreu entre pessoas de 20 a 29 anos, com destaque para os homens, que representaram mais de 40% das notificações nessa faixa etária. Entre adolescentes de 14 a 19 anos, os registros foram proporcionalmente maiores entre mulheres.
A maioria dos casos foi registrada entre pessoas autodeclaradas pardas, que concentraram 84,7% das notificações, percentual compatível com o perfil demográfico do estado. Os dados também indicam maior número de casos entre indivíduos com 12 anos ou mais de escolaridade.

Preservativo protege contra a infecção
(Foto: Letícia Araújo /FVS)
MUNICÍPIOS COM MAIS REGISTROS
Manaus concentrou a maior parte das notificações em 2025, com 2.568 casos, seguida por Carauari, Coari, Parintins e Manacapuru.
SINTOMAS E PREVENÇÃO
Na fase inicial, a sífilis costuma provocar uma ferida indolor na região genital, anal ou oral, que pode desaparecer sem tratamento, mantendo a capacidade de transmissão. Em estágios mais avançados, surgem manchas pelo corpo e, na fase tardia, a doença pode causar comprometimento neurológico, cardiovascular e ósseo, podendo levar à morte.
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A FVS reforça que o uso de preservativos, a testagem regular e o tratamento adequado da pessoa infectada e de seus parceiros são fundamentais para conter o avanço da doença e proteger a saúde da população.