Mensagens encontradas pela polícia mostram que facção mantém relatórios semelhantes a boletins de ocorrência para registrar decisões e punições
A prisão de uma integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) no litoral de São Paulo levou a Polícia Civil de São Paulo a descobrir mensagens que revelam detalhes do funcionamento dos chamados “tribunais do crime” da facção.
Durante a operação realizada na terça-feira (10), agentes apreenderam o celular de Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora, detida no bairro Guapura, em Itanhaém. De acordo com as investigações, ela teria atuação no comando do tráfico na região.
A prisão foi realizada por equipes da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Itanhaém (Dise), sob coordenação do delegado Bruno Lazaro.
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GRUPOS DE MENSAGENS REVELAM FUNCIONAMENTO DA FACÇÃO
Além do celular, a polícia encontrou um caderno com anotações relacionadas ao tráfico local. O aparelho, no entanto, se tornou peça central da investigação.

Nos grupos de mensagens de que Penélope participava, integrantes da facção relatavam ocorrências do cotidiano em áreas sob influência do PCC, como invasões de casas, brigas entre vizinhos e movimentações suspeitas da polícia.

Essas informações eram encaminhadas para membros do setor conhecido como “Disciplina”, responsável por manter a ordem interna e aplicar punições dentro da organização criminosa.

Posteriormente, os casos eram registrados em relatórios que seguem um modelo semelhante ao de um boletim de ocorrência tradicional, com data do fato, descrição do ocorrido, versões das pessoas envolvidas e a decisão final tomada pelo grupo.

DECISÕES E PUNIÇÕES
Segundo os registros encontrados no celular, algumas ocorrências terminavam apenas com orientações ou acordos entre as partes. Em outros casos, no entanto, as decisões incluíam “cobrança física”, termo usado pela facção para indicar punições violentas.

O aparelho também continha fotografias de homens baleados, que, de acordo com os investigadores, seriam usadas como prova de que as punições determinadas pelo grupo foram executadas.

Fotos: Reprodução
Nas mensagens, também apareciam referências frequentes ao termo “resumo”, utilizado para designar integrantes que ocupam posições de liderança dentro da estrutura do PCC nas ruas.
Em um dos registros analisados, um dos participantes inicia a comunicação com a frase: “Bom dia a todos, quadrilha. Nosso dia está tranquilo, sem alteração até o momento. Qualquer lance, nos manda no grupo. TMJ família.”
LIDERANÇA REGIONAL
Penélope é apontada pelas autoridades como uma das responsáveis pela disciplina da facção no litoral sul paulista e no Vale do Ribeira, regiões onde o PCC mantém atuação no tráfico de drogas.
O setor de disciplina tem a função de fiscalizar o cumprimento das regras internas da organização e aplicar sanções a quem descumpre as determinações da facção.
No momento da abordagem policial, Ariane apresentava um hematoma no olho direito. Em depoimento, ela afirmou que a lesão teria sido causada por uma discussão familiar ocorrida na semana anterior.
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As investigações continuam para identificar outros integrantes envolvidos nas atividades registradas nas mensagens e esclarecer a extensão da atuação do grupo na região.