A chanceler da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou neste sábado que os Estados Unidos continuam sendo o principal aliado da Europa, ao tentar minimizar às menções críticas e agressivas ao bloco europeu e ao continente na nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgada na véspera.
— Claro, há muita crítica, mas acho que parte dela também é verdadeira — disse Kallas no Doha Forum, uma conferência diplomática anual na capital do Catar, em resposta a uma pergunta sobre a estratégia americana. — Os EUA ainda são nosso maior aliado... Acho que nem sempre concordamos em todos os temas, mas o princípio geral continua o mesmo. Somos os maiores aliados e devemos permanecer juntos.
O documento formaliza a ofensiva lançada meses atrás pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Europa, acusando o bloco de se aproveitar da generosidade americana — uma ruptura radical com políticas anteriores dos Estados Unidos.
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— A Europa tem subestimado seu próprio poder. Em relação à Rússia, por exemplo... deveríamos ser mais autoconfiantes — disse Kallas. Países como Alemanha, Bélgica e Itália criticaram a nova estratégia americana na véspera.
O ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, afirmou que não precisa de "conselhos externos" sobra como conduzir as sociedades livres europeias. Ian Lesser, chefe do escritório da Bélgica do German Marshall Fund, afirmou que "muitos europeus acharão isso extremamente perturbador".
Sem citá-los diretamente, o documento americano afirma que os EUA devem apoiar partidos políticos na Europa que lutam contra a imigração e promovem o nacionalismo. Isso descreve vários partidos de extrema direita, como o Reform UK, no Reino Unido, e a Alternativa para Alemanha (AfD).
Autoridades ucranianas e americanas realizarão neste sábado o terceiro dia consecutivo de negociações em Miami, em discussões voltadas para encerrar mais de três anos de guerra com a Rússia.
O plano de Washington envolve a Ucrânia ceder territórios que a Rússia não conseguiu conquistar no campo de batalha em troca de garantias de segurança que ficam aquém das aspirações de Kiev de ingressar na Otan.
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— Impor limitações e pressões à Ucrânia na verdade não nos traz uma paz duradoura — afirmou Kallas. — Se a agressão é recompensada, veremos isso acontecer novamente, e não apenas na Ucrânia ou em Gaza, mas em todo o mundo.
Fonte: O Globo