Especialistas explicam por que o cheiro característico da chuva surge após as primeiras gotas e quais substâncias químicas estão envolvidas
Quem nunca percebeu um cheiro particular no ar quando as primeiras gotas de chuva começam a cair? Muitas pessoas associam esse aroma a uma sensação de frescor ou nostalgia, mas o fenômeno é real e tem explicação científica. O professor Luiz Roncaratti, do Instituto de Física da Universidade de Brasília, explica que esse odor é provocado por moléculas liberadas do solo e da água quando entram em contato com a chuva.
A forma como percebemos esse aroma pode variar de pessoa para pessoa. Em muitos casos, ele é considerado agradável porque desperta memórias ou a sensação de alívio após períodos de calor e seca. Em outros contextos, essas mesmas moléculas podem lembrar cheiro de mofo ou gosto de terra. O cheiro característico da chuva tem até nome na ciência: petricor, termo criado em 1964 por cientistas australianos que estudavam a liberação de compostos aromáticos ao contato da água com o solo.
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Quando as gotas de chuva atingem o chão, ocorre um processo físico que espalha as moléculas responsáveis pelo aroma. O tamanho médio das gotas é de cerca de dois milímetros e elas caem a quase 30 quilômetros por hora. Ao colidir com a superfície, liberam pequenos aerossóis que carregam compostos do solo para o ar. Essas partículas microscópicas chegam ao nosso olfato, criando o cheiro característico percebido logo no início da chuva.
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Diversas substâncias contribuem para esse aroma, sendo a geosmina, produzida por bactérias do solo, uma das principais. Óleos essenciais das plantas, compostos voláteis liberados pelas folhas e até o ozônio também participam do processo, podendo gerar cheiros mais frescos ou metálicos. O aroma costuma ser mais intenso após períodos de seca, quando as substâncias se acumulam no solo e são liberadas ao mesmo tempo. Fatores como porosidade do solo, presença de microrganismos e intensidade da chuva também influenciam a percepção do petricor.