Documento de acordo foi divulgado pela Casa Branca neste domingo após cúpula de dois dias de Donald Trump no país asiático
A China concordou em comprar pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos por ano até 2028, informou a Casa Branca em um documento detalhando a cúpula de dois dias do presidente Donald Trump na China.
Um dia antes, o Ministério do Comércio da China divulgou seu próprio comunicado sobre a reunião, afirmando que os EUA e a China adotarão uma série de medidas, incluindo a redução mútua de tarifas sobre diversos produtos. A China não forneceu detalhes específicos e acrescentou que equipes dos dois países ainda negociavam os termos, enquanto o comunicado da Casa Branca não mencionou tarifas.
Trump já havia sugerido anteriormente que as tarifas não foram tema de suas reuniões com o presidente chinês, Xi Jinping.
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-- Não discutimos tarifas -- disse Trump a jornalistas na sexta-feira a bordo do Air Force One. -- Eles estão pagando tarifas substanciais, mas não discutimos isso.
A visita de Trump a Pequim foi a primeira de um presidente dos EUA à China em quase uma década, e ambos os líderes adotaram um tom positivo em relação às relações entre os dois países.
Tentativas anteriores de Trump de fazer a China comprar mais produtos americanos não tiveram o resultado esperado, levantando dúvidas sobre o cumprimento das novas promessas. A China não conseguiu cumprir os compromissos assumidos em um acordo negociado por Trump em 2020, que previa a compra adicional de US$ 200 bilhões em produtos agrícolas, energéticos e manufaturados dos EUA ao longo de dois anos. A pandemia de Covid-19 dificultou esse esforço, mas críticos afirmaram que as metas eram irreais.
Segundo a Casa Branca, os US$ 17 bilhões anuais em compras chinesas de produtos agrícolas seriam adicionais aos compromissos de compra de soja assumidos no outono passado.
Recentemente, a China passou a recorrer à soja brasileira, mais barata, após cumprir um volume inicial de compras dos EUA acordado na trégua comercial firmada no ano passado entre Washington e Pequim.
Após a cúpula, a China restabeleceu o acesso da carne bovina americana ao mercado ao renovar os registros expirados de mais de 400 instalações frigoríficas, segundo a Casa Branca. O país também trabalhará com reguladores americanos para restabelecer as importações de carne de aves dos Estados Unidos.
O resultado demonstra que os dois países “podem encontrar soluções para os problemas por meio do diálogo e da cooperação”, afirmou o Ministério do Comércio da China no sábado, acrescentando que os termos foram discutidos durante negociações comerciais realizadas na Coreia do Sul antes do encontro entre Xi Jinping e Trump.
No sábado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, havia dito anteriormente que os dois países discutiram a criação de um “Conselho de Comércio” que reduziria tarifas sobre pelo menos US$ 30 bilhões em produtos não essenciais.
Um exemplo dado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi o de fogos de artifício, que ele classificou como o tipo de “bem de consumo de baixo valor que continuará vindo da China aconteça o que acontecer”.
A China acrescentou que os EUA irão tratar das preocupações de Pequim sobre a retenção automática de produtos lácteos e pescados chineses, da exportação de plantas ornamentais para os EUA e da designação da província de Shandong como zona livre de gripe aviária altamente patogênica.
Atualmente, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA retém produtos lácteos da China devido à presença de substâncias derivadas de melamina, além de alguns produtos aquáticos por causa do uso de medicamentos não aprovados. Na prática, isso significa que os produtos terão a entrada barrada, a menos que os importadores consigam comprovar a regularidade da mercadoria.
Os EUA também afirmaram que a China atenderá às preocupações americanas relacionadas à escassez de oferta e às restrições de exportação ligadas às terras raras e a outros minerais críticos.
No documento divulgado pela Casa Branca, o governo americano afirmou que ambos os líderes “concordaram que o Irã não pode ter uma arma nuclear, defenderam a reabertura do Estreito de Hormuz e concordaram que nenhum país ou organização deve ser autorizado a cobrar pedágios”. Os dois líderes também “confirmaram seu objetivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte”.
Durante o voo de volta aos EUA vindo da Ásia, Trump afirmou ter discutido a possibilidade de suspender sanções contra empresas chinesas de petróleo que compram petróleo iraniano.
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A Casa Branca também reiterou os planos para que Xi visite os Estados Unidos no outono deste ano.