Governo brasileiro estuda novas estratégias para driblar restrições chinesas e ampliar mercados para a carne nacional.
A China negou o pedido do governo brasileiro para que as cotas de carne bovina remanescentes de outros países fossem redistribuídas entre aqueles que já haviam atingido seu limite, mantendo restrições à principal commodity exportada pelo Brasil. Fontes próximas às negociações informaram à Folha que outros países também solicitaram a medida e receberam a mesma resposta negativa de Pequim.
A medida de salvaguarda, imposta no final do ano passado, estabelece cotas de importação para diversos países entre 2026 e 2028. A intenção do Brasil era permitir que países que normalmente exportam mais do que a cota, como o próprio Brasil, pudessem aproveitar os volumes não utilizados por outras nações. No entanto, Pequim não abriu espaço para negociação sobre a regra.
Em 2026, o Brasil terá uma tarifa de 55% caso exceda 1,1 milhão de toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada exportada para a China. No ano passado, foram enviadas 1,65 milhão de toneladas do produto ao país asiático, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O Ministério do Comércio chinês justificou a medida como forma de proteger frigoríficos locais, alegando que o aumento das importações nos últimos anos prejudicou a indústria doméstica.
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O governo brasileiro estuda agora formas de evitar que grandes frigoríficos utilizem toda a cota antes de empresas menores. Uma das propostas envolve contabilizar o volume exportado em determinados períodos e reservar parte da cota para novas empresas. A contagem, definida por Pequim, será feita de forma bruta na chegada ao porto chinês, independentemente da empresa de origem, o que também gera preocupação entre exportadores.
Há ainda dúvidas sobre a inclusão de embarques já enviados antes de 1º de janeiro. Segundo a China, a contagem vale para a data de chegada ao porto, e não para a saída do porto de origem. Apesar da medida, Brasília avalia que o impacto sobre as exportações brasileiras tem sido menor do que o esperado até agora.
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O governo estuda alternativas para reduzir a dependência da China, incluindo a abertura de novos mercados na Coreia do Sul e no Japão. A viagem do presidente Lula à Coreia será uma oportunidade de negociar o aumento do acesso da carne brasileira ao país asiático, e em breve o governo deve anunciar a liberação do mercado japonês para a commodity nacional.